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    Gustavo Uribe

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    Uribe tem duas paixões: política e café. Cobriu 4 presidentes e 4 eleições presidenciais. E acorda todo dia às 5h da manhã para trazer em primeira mão os bastidores do poder

    Arthur Lira tenta evitar o “Vale dos Esquecidos”

    Entorno do presidente da Câmara avalia que o parlamentar terá de colocar na balança o ônus e o bônus de uma aliança com Lula

    Arthur Lira tenta evitar o “Vale dos Esquecidos”
    Arthur Lira tenta evitar o “Vale dos Esquecidos”

    Desde a redemocratização, foram poucos os presidentes da Câmara dos Deputados que, ao deixarem o cargo, conseguiram ocupar postos mais altos.

    Nas exceções, figuram Michel Temer (MDB), que assumiu a Presidência da República, e Aécio Neves (PSDB), que se tornou governador de Minas Gerais.

    A maioria acabou caindo no chamado “Vale dos Esquecidos”:

    • ou não assumiram mais cargos públicos
    • ou entraram em investigações da Polícia Federal.

    É justamente o que Arthur Lira (PP-AL) tenta evitar, segundo aliados do deputado. Para isso, a menos de um ano do fim de seu mandato, projeta seus passos futuros.

    O primeiro é eleger um aliado para o comando da Casa Legislativa. Assim, Lira garante ascendência sobre decisões legislativas e também influência na negociação das emendas parlamentares.

    O segundo é decidir que caminho pode lhe render mais dividendos eleitorais para vencer uma disputa ao Senado em 2026.

    O mais árduo, nas avaliações de aliados de primeira hora, seria não se vincular ao governo petista, garantindo um eleitorado de direita.

    Para isso, Lira teria de ensaiar uma reaproximação, no próximo ano, com Jair Bolsonaro (PL), um aliado antigo do qual o parlamentar se afastou de maneira estratégica.

    O segundo caminho, considerado mais fácil, seria aderir a uma aliança oficial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Para isso, Lira aceitaria indicar um nome ou até mesmo ocupar ele próprio um cargo de primeiro escalão na gestão petista.

    A hipótese não é descartada no Palácio do Planalto e é defendida por líderes partidários do bloco do Centrão.

    Como colaborador do governo federal, Lira teria mais condições de costurar um apoio do Palácio do Planalto a uma candidatura ao Senado em 2026.

    Esse caminho, no entanto, enfrenta forte resistência do principal adversário do parlamentar, Renan Calheiros (MDB), que já avisou ao governo petista que não se aliará a Lira.

    Apesar de abrir mão do eleitorado de direita, o congressista garantiria o peso da caneta presidencial, que, como mostraram eleições anteriores, é decisivo em Alagoas.

    O futuro do parlamentar já foi tratado entre Lula e Lira. Na conversa recente, o petista teria perguntado ao deputado quais eram suas pretensões após deixar o cargo.

    O congressista tergiversou, disse que aquele não era o momento de discutir o assunto e mudou o rumo da conversa.

    O entorno do parlamentar, no entanto, diz que o momento não deve demorar muito, porque tudo o que Lira não quer é acabar no “Vale dos Esquecidos”.