Isabel Mega
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Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Pressionada por BRB, Celina vira alvo e tenta se desvincular de Ibaneis

Rombo em banco implicado no caso Master permeou embates em tom pouco propositivo

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Sucessora de Ibaneis Rocha (MDB) no comando do Distrito Federal, a governadora Celina Leão (PP) foi escolhida como o principal alvo dos adversários durante o primeiro debate com candidatos ao governo do DF, realizado neste domingo (9), no Sesc de Ceilândia, pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação.

Na berlinda durante três blocos, a situação financeira dos cofres do GDF e as relações escusas do BRB (Banco de Brasília) com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e que deixaram um rombo com valores ainda imprecisos mas que podem chegar a cerca de R$ 8,8 bi.

O assunto pressionou Celina, que tentou se vacinar logo na largada, antes mesmo de ser perguntada, ao dizer que herdou uma grave crise do BRB, que não participou da operação com o Banco Master e que foi contrária à época.

Celina tentou abraçar a missão de se descolar do governo Ibaneis Rocha, de quem foi vice-governadora durante os últimos anos e, como consequência, acabou herdando mais ônus do que bônus da aliança. Disse não ser responsável pelos erros de Ibaneis, mas apenas pela própria gestão, que começou há quatro meses.

“Não sou apêndice de Ibaneis Rocha. Eu não sou a sucessão somente de Ibaneis Rocha. Sou um novo governo, um novo projeto”, fez questão de frisar Celina ao final de uma interação com a candidata Paulo Belmonte (PSDB), no qual o assunto era a pauta feminina.

Os candidatos foram e voltaram no tema BRB por diversas vezes, com cobranças pertinentes sobre o passado recente e ainda não resolvido do banco, mas com quase nenhuma solução concreta sobre o futuro da instituição.

Candidato do Novo, Kiko Caputo tentou ensaiar algo ao dizer “sabemos como recuperar o BRB e temos chance de recuperar o banco”, mas sem elaborar como.

Leandro Grass (PT) e José Roberto Arruda (PSD) fizeram uma dobradinha sobre o tema ao discutirem quem seriam os responsáveis e cobrarem os balanços do banco.

Grass, em uma réplica a Arruda, diz que a primeira medida que irá tomar quando começar a governar Brasília é “abrir a caixa do BRB”. E questiona: “Para onde foram os bilhões? Enquanto não tiver transparência não tem solução para o BRB”.

Arruda, na sequência, cobra que candidatos alinhados ao governo federal, como Grass e Ricardo Capelli (PSB), busquem viabilizar recursos do Fundo de Garantia de Operações (FGO) para ajudar o BRB.

“Esse escândalo foi realmente inaceitável. Eu teria uma sugestão, se pudesse hoje eu pediria principalmente ao Leandro e ao Cappelli que têm boa relação com o presidente da República, que nos ajudasse a trazer o FGO que hoje é aplicado no Banco do Brasil. São 15 bilhões de reais. Isso ajudaria a alavancar o BRB”, afirma.

Capelli, em outros momentos, fala em colocar a Polícia Federal atrás do caminho do dinheiro para salvar o BRB. Já Paula Belmonte fala em uso de verbas de patrocínio do BRB, mesmo sem o banco estar sequer a salvo, para empreendedores.

Para além de planos poucos detalhados para resolver o presente, os candidatos deixaram no ar perguntas sobre o futuro do BRB. Qual o caminho para o banco voltar a ser financeiramente saudável? Como driblar o uso político do BRB? E se o banco quebrar… o que farão? São perguntas básicas e que ficaram de fora de uma questão central em que o debate foi pouco propositivo.