Análise: Decisão de Moraes silencia Bolsonaro
Decisão do ministro do STF aponta que o ex-mandatário burlou medidas cautelares ao participar, por chamada de vídeo, de atos políticos no último domingo (3)
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após constatar o descumprimento de medidas cautelares impostas anteriormente. A decisão de 25 páginas, divulgada na segunda-feira (4), ressalta que o ex-mandatário burlou as restrições ao participar, por meio de chamadas de vídeo, de atos políticos realizados no último domingo (3).
A determinação judicial enfatiza que este é o segundo descumprimento das medidas cautelares por parte de Bolsonaro. O primeiro episódio ocorreu quando, após receber a tornozeleira eletrônica, ele compareceu ao Congresso Nacional, fez gestos mostrando o equipamento e concedeu entrevistas, conteúdo que foi posteriormente compartilhado por seus filhos nas redes sociais.
Proibição de comunicação
Na decisão, Moraes destaca a existência de núcleos responsáveis pela produção e publicação de material de áudio e vídeo fornecido por Bolsonaro. O documento faz referência direta às participações indiretas do ex-mandatário por meio de chamadas de vídeo com aliados políticos, que foram posteriormente compartilhadas nas redes sociais.
Um dos pontos cruciais que fundamentou a decisão foi a publicação feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas redes sociais, mostrando uma chamada com seu pai, conteúdo que foi posteriormente removido. Para especialistas em direito, consultados pela CNN, a remoção do material pode ser interpretada como uma admissão do descumprimento das regras impostas.
A decisão reitera o princípio de que "a justiça é cega, mas não é tola", frase utilizada pelo ministro ao menos duas vezes no documento. O texto enfatiza que o tratamento deve ser igualitário para todos que descumprem medidas cautelares, independentemente de sua posição ou histórico político.



