Isabel Mega
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Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

MPT abre investigação contra fala de Zema sobre trabalho infantil

Apuração foi instaurada pela Procuradoria Regional do Trabalho da 3ª Região, após representação de frente parlamentar

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O MPT (Ministério Público do Trabalho) abriu uma investigação para apurar uma fala do ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema, sobre trabalho infantil.

O órgão atendeu a um pedido da Frente Parlamentar Mista de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem, presidida pelo deputado federal Túlio Gadêlha (PSD/PE).

A apuração foi instaurada pela Procuradoria Regional do Trabalho da 3ª Região.

Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda. no dia primeiro de maio, Zema defendeu a flexibilização das regras sobre trabalho infantil no Brasil.

“Eu sei que o estudo é prioritário, mas criança pode estar ajudando com questões simples, com questões que estão ao alcance dela”, defendeu Zema.

O ex-governador também citou exemplos da própria infância e de outros países para defender a ideia.

“Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal. Recebe lá não sei quantos cents por cada jornal entregue, no tempo que tem. Aqui é proibido, você está escravizando criança. Então, é lamentável, mas tenho certeza de que nós vamos mudar isso”, disse o ex-governador.

Na representação, Túlio argumentou que as falas podem configurar apologia ao trabalho infantil, além de afrontar o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), a Constituição e tratados internacionais ratificados pelo Brasil.

Segundo o deputado, a abertura da investigação representa uma resposta institucional diante da gravidade do tema. “Para a esmagadora maioria das crianças e adolescentes brasileiros, o trabalho não é um convite ao aprendizado, mas uma imposição da miséria”, afirma.

Além do Ministério Público do Trabalho, o parlamentar também acionou o CONANDA (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) e o CNDH (Conselho Nacional dos Direitos Humanos), solicitando providências e acompanhamento do caso.