Isabel Mega
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Isabel Mega

Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Visto de embaixadora fica de fora de conversa entre Lula e Trump

Presidentes também não abordaram agrément de Daniel Perez, indicado para assumir Embaixada dos EUA

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A revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti e a indicação de Daniel Perez para assumir a embaixada dos Estados Unidos no Brasil ficaram de fora da conversa de mais de uma hora dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump.

Na avaliação de fontes ouvidas pela CNN, o fato de Trump não ter intercedido para que o Brasil conceda o "agrément" a Daniel Perez, nem mencionado desavenças como justificativas para a retirada do visto da embaixadora, é um indicativo de que o presidente não está a par do que é feito por subordinados em relação ao Brasil.

Até aqui, o Palácio do Itamaraty trabalhava com a ideia de deixar a situação do embaixador em banho-maria. Há duas semanas, o Senado dos Estados Unidos aprovou a indicação do político republicano para assumir a representação americana em Brasília.

Interlocutores de Lula avaliam que Trump estava amigável durante o telefonema e consideram que o canal de diálogo sobre os dois países foi reaberto. A expectativa principal é para a retomada de reuniões para negociar os últimos tarifaços aplicados pelo Brasil.

Isso reforça, na visão de integrantes do governo, que a liderança de articulações para interferir eleitoralmente no Brasil não parte de Trump, mas de auxiliares como o chefe do Departamento de Estado, Marco Rubio.

Como apontou a nota oficial da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), os temas de comércio, combate ao crime e conflitos globais dominaram a maior parte da conversa.

Os dois presidentes também conversaram sobre as eleições brasileiras. Segundo interlocutores do governo, Trump desejou que "vá tudo bem na eleição do Brasil" e Lula respondeu que o sistema eleitoral do Brasil é confiável.

Trump também teria recebido bem as críticas do presidente Lula ao Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Segundo os relatos, Lula ponderou que o organismo está ineficaz e inoperante.