Iuri Pitta
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Iuri Pitta

Jornalista, mestre em administração pública e governo e professor universitário. Atuou como repórter, editor e analista em coberturas eleitorais desde 2000

Análise: com país e STF "em guerra", Renan dobra aposta na contundência

Candidato do Missão deixa marca na campanha com verve única e provocações; o surpreendente é o ambiente político-institucional ser ainda mais ruidoso

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Ao longo da pré-campanha eleitoral deste ano, o candidato do Missão a presidente, Renan Santos, explicou mais de uma vez que não deixaria de falar verdades, ainda que perdesse votos, e que considera o Brasil um "país em guerra", diante da violência e dos territórios dominados pelo crime organizado.

Na sabatina à CNN realizada na semana em que o Supremo Tribunal Federal se converteu em campo de batalha, o concorrente ao Palácio do Planalto dobrou a aposta na contundência.

Houve quem imaginasse que, diante da reiterada alta nas intenções de voto de Augusto Cury (Avante) por diversos institutos ao longo da semana, Renan pudesse mudar a forma com que defende as propostas reunidas no Livro Amarelo, como a "desfavelização" do Brasil ou a reprodução de medidas tomadas por Nagib Bukele em El Salvador, como superpresídios.

Pois o candidato do Missão, que havia sido criticado pelo adversário pela "agressividade", classificou o concorrente como "pastel de vento" e "conjunto vazio" de propostas.

Para Renan, Cury não se sustentará nesse patamar diante de um novo ambiente na campanha, impactada pela tensão dentro do STF entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça em polos que se acusam, direta ou indiretamente, de terem cometido crimes.

De fato, não há como a campanha eleitoral ficar imune ou se insular em meio à enxurrada da tensão institucional deflagrada pelas revelações de mensagens do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sócio controlador do Banco Master preso pela Operação Compliance Zero.

Nesse ambiente conflagrado, Renan encontra terreno para, com a verve que lhe é marcante, decretar o fim do pacto constitucional de 1988, dizer que "toda música de facção é um funk" que não pode ser ouvido pelas crianças e, ao mesmo tempo, afirmar que a "cultura de lugares como Jardins e Leblon é um lixo".

A contundência de Renan Santos já se tornou uma das marcas da atual campanha eleitoral, independentemente do resultado que for obtido pelo Missão. O infortúnio para o candidato é que, como esta semana mostrou, o Brasil e o ambiente político-institucional conseguem produzir fatos ainda mais surpreendentes e ruidosos.