Iuri Pitta
Blog
Iuri Pitta

Jornalista, mestre em administração pública e governo e professor universitário. Atuou como repórter, editor e analista em coberturas eleitorais desde 2000

MP de São Paulo busca delação “abrangente” de alvos da Carbono Oculto

Operação deflagrada em agosto mirou esquema de lavagem do PCC, atingiu gestoras de fundos como a Reag e pode repercutir entre agentes políticos

Compartilhar matéria

O MPSP (Ministério Público de São Paulo) mantém conversas para firmar um acordo de delação premiada com alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto e que mirava esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado. De acordo com integrantes da instituição que participam das tratativas, a colaboração só será homologada se for “abrangente”, “segura” e “sem enrolação”.

Entre os possíveis delatores estão os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo” ou “João”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, líderes do esquema bilionário de lavagem e principais alvos da megaoperação contra o PCC. Ambos seguem foragidos.

Na época, a Carbono Oculto cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão contra cerca de 350 alvos, incluindo gestoras de fundos de investimentos como a Reag, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, recém-liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central.

Em outra investigação, a Compliance Zero, a Polícia Federal fez buscas em endereços ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e apura as conexões da instituição com a Reag.

Agentes públicos e políticos

Investigadores a par dessas operações não descartam o envolvimento de agentes públicos com o esquema de lavagem de dinheiro. No ano passado, houve tratativas para uma eventual colaboração por meio do Ministério Público Federal no Paraná (MPF-PR), mas sem avanços em relação ao que já havia sido descoberto na investigação e, com isso, as conversas estagnaram.

Em depoimento à PF em dezembro sobre supostas fraudes envolvendo o Master, revelado na semana passada, Vorcaro foi questionado sobre relações com políticos em Brasília – o banqueiro evitou citar quais frequentavam sua casa e disse que não haveria conexão com a operação de compra de parte do Master pelo BRB, negada pelo BC.

Procurado pela CNN, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, não quis tratar especificamente de um eventual acordo de colaboração, mas afirmou que a Carbono Oculto é um dos “mais sofisticados esquemas crimonosos” já desbaratados, extrapola o PCC e “não existiria se não tivesse agente público corrupto e facilitador”.

“Nosso objetivo é impessoal. Qualquer pessoa que tiver qualquer envolvimento, em qualquer etapa dessa cadeia criminosa, terá que se explicar e sofrerá as consequências penais, administrativas e cíveis cabíveis”, disse o chefe do MPSP. “Chegaremos não só a empresários e empresas, mas a agentes públicos e eventualmente até políticos.”

A CNN também procurou a defesa dos empresários Primo e Beto Louco e aguarda resposta.