Jenifer Ribeiro
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Jenifer Ribeiro

Jornalista especializada em infraestrutura de transportes, com MBA pelo Ibmec. É movida por transformar temas complexos em histórias acessíveis

Trabalhadores portuários pressionam relator do PL dos Portos

Lideranças da categoria ameaçam paralisações após retirada de dispositivos trabalhistas do texto em discussão na Câmara

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Após ameaças de paralisação nacional, o relator do novo marco legal dos portos, deputado Arthur Maia (União-BA), aceitou se reunir com trabalhadores portuários para discutir os pontos trabalhistas do projeto que segue travado na Câmara dos Deputados.

 

O encontro está marcado para esta quinta-feira (21) e contará com a participação de Arthur Maia, da Federação Nacional dos Estivadores - entidade que representa os trabalhadores portuários que carregam e descarregam cargas de navios - e da FENOP (Federação Nacional das Operações Portuárias). Apesar da abertura de diálogo, representantes da categoria confirmaram a manutenção de uma paralisação nacional para o dia 3 de junho.

 

Além disso, os presidentes de sindicatos portuários de todo o país vão se reunir na sexta-feira (22) para avaliar o resultado das negociações. Caso as lideranças entendam que não houve avanço nas tratativas, os trabalhadores pretendem realizar também uma paralisação de 12 horas já na próxima segunda-feira (25).

O principal ponto de insatisfação envolve a flexibilização da contratação de trabalhadores fora do OGMO (Órgão Gestor de Mão de Obra) nos portos públicos. Pelo texto que circula nos bastidores e ao qual a CNN teve acesso, foi incluída a possibilidade de contratação fora do órgão, desde que haja comprovação de qualificação profissional.

 

A discussão sobre a exclusividade do OGMO é considerada uma das mais sensíveis do projeto e acompanha o setor desde a aprovação da atual Lei dos Portos, em 2013.

 

Os trabalhadores afirmam que a retirada da exclusividade ameaça o modelo atual de contratação da mão de obra portuária. A Federação Nacional dos Estivadores disse, em publicação no Instagram, que defenderá a manutenção do sistema atual de trabalho nos portos públicos.

 

Trabalhadores também criticam a retirada de praticamente todos os dispositivos trabalhistas do relatório em elaboração. O movimento também gerou preocupação em parte do setor privado, que avalia que a ausência de regras mais claras pode aumentar inseguranças futuras na relação entre operadores e trabalhadores.

 

As divergências trabalhistas são hoje o principal entrave para o avanço do novo marco legal dos portos. A expectativa inicial era que o parecer de Arthur Maia fosse apresentado no início de maio.

 

Porém, o relator afirmou que a questão trabalhista precisa ser “pacificada” antes da apresentação do relatório final. Segundo ele, o texto segue em construção e os acordos continuam em negociação entre governo, trabalhadores e representantes do setor portuário.