Análise: Reta final deixa campanhas à mercê do noticiário
Não basta explorar o desgaste do adversário; é preciso evitar que o próximo capítulo mude novamente quem está no ataque e quem está na defensiva

A crise no STF (Supremo Tribunal Federal) virou um jogo de risco para as duas principais campanhas presidenciais. Quem ganha com o noticiário de hoje pode estar na defensiva amanhã.
O PL sabia disso. Vinha explorando o desgaste do STF e comemorando o avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas também acompanhava investigações que poderiam mudar o foco da crise.
Uma delas avançou hoje e atingiu o entorno do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio não é alvo, mas o episódio muda o cálculo da campanha: até onde subir o tom sem colocar em risco o terreno conquistado nos últimos dias.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz o cálculo inverso. Pressionado pelas pesquisas, o presidente tenta ampliar o foco da crise e defende que todo o caso Master seja aberto. Isso enquanto a campanha petista ainda tenta ganhar fôlego diante da falta de empolgação de parte da própria base.
A reta final ganha, assim, um componente novo: não basta explorar o desgaste do adversário. É preciso evitar que o próximo capítulo mude novamente quem está no ataque e quem está na defensiva.



