Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Análise: Lula e Flávio agem como se não precisassem ser confrontados

Líderes da corrida presidencial faltam ao debate confiantes na polarização, enquanto Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury não conseguem se impor no confronto

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Líderes da corrida pelo Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) agiram neste domingo (23) como se não precisassem se expor ao contraditório, em meio a crises que pressionam suas campanhas.

Os dois faltaram ao primeiro debate da campanha, realizado tradicionalmente pela Band, numa demonstração de confiança na polarização que protagonizam na disputa pela Presidência.

Como se não precisassem dar explicações ao eleitor nem falar sobre o Brasil que pretendem entregar a partir de 2027.

A ausência dos dois abriu espaço para que Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) tentassem se apresentar ao eleitorado e se colocar como alternativas aos dois primeiros colocados. Ao longo do debate, porém, nenhum dos três conseguiu se impor ou causar uma reflexão capaz de alterar a dinâmica da corrida.

Os melhores momentos dos candidatos presentes foram justamente quando criticaram os faltosos. No mais, fizeram um confronto cordial, morno e sem conseguir marcar posição.

Enquanto o debate ocorria ao vivo na Band, uma entrevista de Lula gravada na manhã deste domingo (23) era exibida pela Record. Já Flávio optou por publicar um vídeo nas redes sociais durante o debate.

Nos dois casos, tanto o petista quanto o primogênito do clã Bolsonaro escolheram falar em ambientes nos quais se sentiam mais confortáveis e sem o risco de serem questionados pelos opositores sobre as crises que atormentam suas campanhas.

Lula quis evitar ser confrontado pelos adversários sobre as investigações por suspeita de tráfico de influência envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e sobre as suspeitas que recaem sobre seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, pela relação que mantinha com a lobista Roberta Luchsinger.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, sabe que seria cobrado a prestar contas sobre o filme “Dark Horse”, sobre a vida de seu pai. Desde a divulgação, em maio, de um áudio no qual o senador pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Master, para a produção, Flávio ainda não explicou o uso dos recursos. O caso também é investigado pela Polícia Federal.

Renan foi quem mais explorou as crises dos dois líderes e chegou a dizer que a polarização entre Lula e Flávio é patrocinada pelo Banco Master. Também apostou no jogo de cena, circulou entre os púlpitos vazios dos dois candidatos e chamou ambos de “canalhas”, “covardes” e “criminosos”.

Ronaldo Caiado também ensaiou críticas aos dois faltosos. Cunhou a frase de efeito “Dark Horse e Dark Lobby”, mas ainda assim ficou abaixo do tom que suas manifestações nas redes sociais indicavam que poderia adotar no confronto.

Cury, por sua vez, repudiou a ausência de Lula e classificou como um “desserviço à democracia” a decisão do presidente de conceder entrevista a outra emissora no dia do debate. Renan foi além e atacou a Record.

Romeu Zema (Novo), sem tempo na TV, desistiu de participar do debate neste domingo. Não foi citado pelos adversários e seu púlpito vazio praticamente desapareceu do quadro da câmera da transmissão.

Para o eleitor que assistiu ao debate, a noite de domingo terminou sem que os três candidatos presentes conseguissem responder à principal questão colocada pela ausência dos líderes: por que trocar Lula ou Flávio por um deles?

Longe do confronto, Lula e Flávio venceram a noite, mas seguem devendo explicações ao eleitor.