Ex-comandante da FAB rebate Flávio após sabatina: “Leviandade”
Candidato do PL disse à TV Globo que brigadeiro Baptista Junior pede voto para Lula

O ex-comandante da FAB (Força Aérea Brasileira), brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, rebateu neste sábado (29) o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência. Em sabatina na TV Globo, o parlamentar acusou o militar de “pedir votos” para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em publicação nas redes sociais, Baptista Junior classificou a declaração de Flávio como uma “leviandade”. O ex-comandante é autor do livro “Eu disse NÃO: uma trincheira antigolpista”, que será lançado em setembro pela Autêntica Editora e trata da tentativa de golpe de Estado pela qual o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.
“A leviandade de dizer que faço campanha para a reeleição do presidente Lula, apresentada para não abordar a verdadeira pergunta colocada no debate de ontem, na Globo, é antes de tudo uma ferramenta para fugir da responsabilidade de respondê-la — algo entendido na figura de filho, mas não de alguém que se proponha a nos presidir”, escreveu Baptista Jr.
O ex-comandante se referiu a uma pergunta sobre os depoimentos de militares que integraram o governo Bolsonaro e ajudaram a embasar o processo que condenou o ex-presidente e outros integrantes de seu governo.
Na resposta, Flávio tentou desqualificar os relatos de Baptista Junior e do ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes. Ao longo do processo, os dois afirmaram que houve risco de golpe de Estado e pressões para que as Forças Armadas aderissem a uma ruptura institucional.
“Não é grave porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro”, disse Flávio na TV Globo.
À CNN, Baptista Junior negou que seu livro seja instrumento de campanha e disse que a reação de Flávio foi feita para “agradar sua bolha”.
“Achei uma resposta sem qualquer propósito claro, típica de uma pessoa que está dentro da bolha que acha que meu livro será instrumento de campanha. Mostra uma reação preparada anteriormente para agradar sua bolha ou sentimento escondido, que foi recalcado quando se sentiu pressionado pela pergunta”, afirmou.
Baptista Junior afirmou desconhecer a origem da acusação feita por Flávio — se o conteúdo do livro ou seu depoimento na Ação Penal 2668, no STF. Segundo o brigadeiro, seu testemunho no processo não teve relação com o senador.
“Analiso o Jair Bolsonaro e Lula com imparcialidade, até porque sou bastante crítico aos populismos que nos limitam o desenvolvimento”, disse.
No livro, Baptista Junior relata as discussões ocorridas no governo após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022 e as pressões para que os comandantes militares aderissem a medidas de exceção. O brigadeiro afirma que a ruptura institucional não avançou porque não houve apoio unânime das Forças Armadas.
Ele também narra ter ouvido Freire Gomes advertir Bolsonaro de que teria de prendê-lo caso o então presidente adotasse uma medida de exceção. Segundo Baptista Junior, o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, colocou as tropas sob seu comando à disposição do presidente durante as discussões.
Na publicação deste sábado, o brigadeiro também dirigiu um recado ao coordenador-geral da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN). Baptista Junior sugeriu que o parlamentar não incorporasse “o espírito” de Zagallo ao dizer que a chamada “direita consentida” teria de engolir o grupo político.
“Lembre-se do chamamento de Fernando Collor aos ‘caras-pintadas’: menos”, concluiu.



