Análise: sabatina de Flávio foi marcada pelo peso das perguntas
Controvérsias reunidas em horário nobre podem reavivar resistências entre eleitores

Flávio Bolsonaro foi sabatinado durante quase 40 minutos no Jornal Nacional, nesta sexta-feira (28). E foram as perguntas — mais do que as respostas — que se destacaram e deram peso político à entrevista.
Em horário nobre, a sabatina concentrou perguntas sobre polêmicas judiciais e políticas que vinham aparecendo de forma dispersa. Reunidas em uma mesma sequência, os temas ganharam nova dimensão na campanha presidencial.
O roteiro foi do Banco Master às “rachadinhas”. Passou pela proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, laços com o ex-policial Adriano da Nóbrega, pelos ataques às urnas eletrônicas e pela defesa da anistia aos condenados pelo 8 de janeiro.
Houve espaço até para o ceticismo de Flávio Bolsonaro em relação ao aquecimento global, tratado pelo candidato como “eventos extremos”.
Nas respostas, Flávio seguiu o script traçado pelos marqueteiros de sua campanha. Rebateu as acusações, evitou entrar em detalhes e redirecionou parte da entrevista para críticas ao atual governo.
O principal efeito da sabatina, porém, não esteve na originalidade das respostas. A entrevista reuniu temas que, para parte do eleitorado, já não eram lembrados e nem diretamente associados à figura de Flávio.
Para a base bolsonarista, o confronto tende a reforçar a narrativa de perseguição e ajudar na mobilização. já entre moderados e indecisos, a sabatina pode reavivar resistências que a campanha tenta deixar no passado.
Com uma “cola” na palma da mão, Flávio buscou resgatar a popularidade do pai. A estratégia, no entanto, acabou expondo um outro lado dessa herança. A força eleitoral de Jair Bolsonaro vem acompanhada de controvérsias acumuladas pelo bolsonarismo.



