Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

PT vê “fator Trump” decisivo para recuperação de Lula

Aliados veem “pacote de bondades” ainda surtir efeito moderado e avaliam que encontro na Casa Branca foi crucial para presidente voltar a aparecer numericamente à frente de Flávio em eventual 2º turno

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Integrantes do PT (Partido dos Trabalhadores) avaliam que o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, na Casa Branca, na semana passada, impulsionou a recuperação do petista mais do que medidas anunciadas pelo Palácio do Planalto, que ainda não tiveram seus efeitos percebidos pela população.

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (13) mostra Lula com 42% das intenções de voto no segundo turno, e o senador Flávio Bolsonaro, com 41%. No levantamento anterior, era o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro que aparecia numericamente à frente, com 42%, enquanto o petista tinha 40%.

A avaliação é que Lula conseguiu aproveitar o momento para, mais uma vez, passar a imagem de um líder altivo, capaz de defender a soberania e dialogar em pé de igualdade, sem demonstrar subserviência a Trump.

Como revelou a CNN, Lula falou com Trump pelo celular de Joesley Batista, dono da JBS, durante uma visita do empresário ao Palácio da Alvorada, para destravar a ida a Washington, que estava prometida desde dezembro de 2025.

Recebido de modo afável pelo líder republicano, o petista aproveitou o palanque montado por Trump para reverter o desgaste interno da semana anterior com a reprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal), que impôs uma derrota histórica ao governo.

A pesquisa Quaest desta quarta-feira aponta que, para 43% dos entrevistados, Lula saiu mais forte da visita à Casa Branca. Para 26%, Lula saiu mais fraco, e outros 13% dizem que o presidente saiu do mesmo modo.

Outro ponto a ser considerado é que a reação de Lula ocorre após a quinta fase da Operação Compliance Zero atingir o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e ex-ministro-chefe da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro, por suposto envolvimento com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A ação da PF (Polícia Federal) contra o parlamentar, que chegou a ser cotado como vice de Flávio, ocorreu no mesmo dia da visita do petista a Trump. O PT aproveitou o momento e colocou na rua a estratégia de empurrar o escândalo da fraude financeira para a direita, reforçando nas redes sociais a expressão "BolsoMaster".

Para o entorno do petista, a imagem de Lula sendo recebido por Trump, aliada a uma semana negativa para a direita por causa da operação da PF, tem um efeito mais imediato que o novo Desenrola, programa de renegociação de dívida que, anunciado na semana passada, ainda não chegou na ponta da linha para todos.

O governo também tem investido no discurso do fim da escala 6x1, mas o tema está em discussão no Congresso, e ainda não é possível contabilizar os dividendos para o Planalto.

Nesta terça-feira (12), Lula anunciou um plano de combate ao crime organizado e, por meio de uma medida provisória, o fim da taxa das blusinhas, mirando a camada mais popular da sociedade. A tarifa sobre produtos comprados em sites internacionais foi criada no atual governo.

Portanto, na percepção da pré-campanha de reeleição, os impactos dessas medidas ainda serão medidos em futuros levantamentos.

Como mostrou a CNN, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro teme que a máquina pública e o “pacote de bondades” alavanquem a candidatura do presidente. Auxiliares do senador avaliam que o principal risco é o potencial de recuperação do petista até o início oficial da campanha.

A meta da pré-campanha, segundo interlocutores de Flávio, é manter o empate técnico até a largada oficial da disputa presidencial, diante da polarização. O pior cenário, na avaliação do entorno do senador, seria Lula abrir uma vantagem de cinco pontos percentuais antes do início da campanha.