Bolsonaro ainda avalia ir a julgamento; Braga Netto quer acompanhar on-line
Ex-presidente está em prisão domiciliar, e general detido em batalhão do Exército no Rio

A uma semana do início do julgamento do plano de golpe, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto, ainda não decidiu se vai acompanhar pessoalmente as audiências na Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal).
O tema divide aliados, que avaliam a conveniência política de Bolsonaro assistir às sessões que podem terminar com uma pena superior a 40 anos de prisão.
Já o general Walter Braga Netto, preso desde dezembro de 2024 na 1ª Divisão do Exército no Rio de Janeiro, decidiu não comparecer presencialmente.
A defesa do ex-ministro da Casa Civil, porém, pedirá autorização para que o militar possa acompanhar as sessões de modo virtual, informou à CNN o advogado José Luís de Oliveira Lima. Desde que foi preso, Braga Netto só saiu da cadeia uma única vez: para a acareação com o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, em Brasília, em junho.
Bolsonaro e Braga Netto, que formaram uma chapa contra o Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022, são apontados pela acusação como líderes da trama golpista. Os dois serão julgados com outros seis réus do chamado núcleo crucial.
Entre pessoas próximas de Bolsonaro, não há consenso sobre ele ir ao julgamento. De um lado, afirmam interlocutores, há uma avaliação de que a presença dele reafirmaria a tese de que não há nada a temer e de que o ex-presidente está enfrentando um "processo injusto de cabeça erguida". Por outro, há uma preocupação sobre seu estado de saúde.
Em março, o ex-presidente decidiu acompanhar de perto o julgamento do recebimento da denúncia da trama golpista. Na ocasião, a presença dele não era obrigatória. Ele chegou de surpresa à Corte e a presença dele foi justificada como um enfrentamento à acusação.
Nessa fase do processo, os réus também não têm obrigação de comparecer às sessões nas quais os advogados apresentarão argumentos técnicos e dos fatos de acordo com as teses já expostas nas alegações finais.
Como está em prisão domiciliar por descumprimento de medidas cautelares no inquérito envolvendo o filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Bolsonaro teria que pedir autorização para ir ao STF.
Como mostrou a CNN, o tenente-coronel Mauro Cid decidiu não comparecer ao julgamento do plano de golpe marcado para começar no dia 2 de setembro para evitar constrangimento com os demais réus.
O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro assinou um termo de colaboração premiada e seus depoimentos serviram como base para o avanço da investigação sobre a trama golpista para tentar manter o ex-presidente no poder.
O ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do STF, marcou para o dia 2 de setembro o início do julgamento do chamado núcleo crucial da trama golpista. O colegiado terá sessões extraordinárias nos dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro para a análise do caso.



