Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

"Mermão": Flávio alegará "jeito carioca" para explicar falas com Vorcaro

Senador diz que tratou bem banqueiro para garantir financiamento, mas que relação nunca foi pessoal

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem colocado na conta do “jeito carioca” as expressões usadas nas mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O pré-candidato à Presidência também negará ter relação pessoal com o empresário e dirá que a suposta intimidade era apenas um tratamento cordial dado a um patrocinador.

Nas conversas divulgadas pelo site Intercept, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro chama o empresário, investigado por uma fraude bilionária, de “irmão”, “mermão” e chega a dizer que "não tem meia conversa entre a gente".

Em uma das mensagens, o pré-candidato à Presidência, ao cobrar o pagamento para custear o filme sobre o próprio pai, presta solidariedade ao banqueiro, que já era alvo de investigação. Em outro momento, propõe um jantar com Vorcaro e o elenco da produção.

Como mostrou a CNN, o tom de intimidade de Flávio com Vorcaro passou a ser explorado por adversários. A avaliação é que as mensagens e os áudios, ao evidenciarem proximidade com o ex-banqueiro investigado, podem gerar mais desgaste político do que o próprio pedido de patrocínio.

Flávio, nascido em Resende, no interior do Rio de Janeiro, mas criado na capital fluminense, alega que tratar pessoas como “irmão” e “mermão” é um regionalismo usado para se referir a alguém mesmo sem intimidade.

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio Bolsonaro a Vorcaro em 16 de novembro de 2025, um dia antes da operação da PF (Polícia Federal) que prendeu o ex-dono do Banco Master no Aeroporto de Guarulhos.

O senador, que passou o dia reunido com o núcleo duro da campanha, também deve afirmar que as mensagens interpretadas como camaradagem fazem parte de uma conversa normal dentro de uma negociação com o patrocinador do projeto.

A aliados, Flávio tem afirmado que a relação com Vorcaro sempre foi comercial e nunca pessoal. O senador garantiu que nunca esteve em festas do banqueiro e que o jantar proposto para apresentar o elenco do filme jamais aconteceu.

Em áudio de 8 de setembro, o senador, ao cobrar o pagamento para o filme, afirma saber do “momento dificílimo” vivido pelo banqueiro. Cinco dias antes, o Banco Central havia rejeitado a compra do Master pelo BRB.

“Irmão, eu preferi te mandar o áudio aqui pra você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né? Não sei como é que vai ser daqui para frente, como é que isso tudo vai acabar, mas tá na mão de Deus aí. E você também, eu sei que você tá passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda.”

A reportagem do Intercept também mostra Flávio tentando marcar, em outubro, um jantar com Vorcaro e o elenco do filme biográfico de Bolsonaro. Em 7 de novembro, o senador manda um vídeo de visualização única e diz: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”.