Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Pedido de prisão preventiva pode acelerar extradição de foragidos de 8/1

Polícia Federal deve enviar ao STF nos próximos dias uma relação com os nomes dos fugitivos

Bandeira da Argentina
Bandeira da Argentina  • Banco de imagens/Pexels
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O processo de extradição de foragidos das investigações dos atos de 8 de Janeiro que buscam refúgio na Argentina pode, eventualmente, ser acelerado caso haja, antes, um pedido de prisão preventiva para os fugitivos, avaliam integrantes do governo brasileiro a par das discussões.

Informações dos investigadores brasileiros indicam que os pedidos de refúgio na Argentina por alvos do inquérito do 8 de Janeiro já ultrapassam 100. Deste total, 47 são condenados ou têm mandado de prisão em aberto. O número, porém, é incerto uma vez que os processos de refúgio são sigilosos.

Como mostrou a CNN, antes de avaliar um pedido de extradição, as autoridades argentinas devem considerar as solicitações de refúgio feitas por bolsonaristas com o argumento de que são alvo de uma perseguição política no Brasil.

Na prática, o pedido de refúgio não paralisa o processo de extradição, mas é um grande entrave. Isso porque a conclusão desse trâmite para extraditar foragidos só ocorre após uma negativa da solicitação de asilo.

Uma das estratégias que o Brasil poderia utilizar para acelerar a tramitação é que a Justiça determine a prisão preventiva dos foragidos antes de ingressar com o pedido de extradição.

A Polícia Federal deve enviar nos próximos dias uma comunicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) com a relação dos foragidos. Assim, caberá ao relator do inquérito, o ministro Alexandre do Moraes, encaminhar o pedido de extradição ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

No Ministério da Justiça, essa solicitação é analisada pela coordenação de análise de extradição do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) da Secretaria Nacional de Justiça. O órgão verifica se a documentação está correta e envia ao Ministério das Relações Exteriores, que fica responsável por encaminhar para as autoridades argentinas.

O tratado bilateral de extradição do Brasil com a Argentina é de 1968. Em 2019, os dois países assinaram um novo tratado, mas o projeto ainda não foi aprovado pelo Congresso brasileiro.

Nesta terça-feira (11), o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) usou as redes sociais para pedir ao presidente da Argentina, Javier Milei, que conceda refúgio político aos brasileiros condenados e investigados por envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro.

O ex-vice-presidente estendeu a solicitação à Comissão Nacional dos Refugiados (Conare), órgão do governo argentino que avalia as solicitações.

Na publicação, Mourão diz que a ida dos foragidos para a Argentina é porque não há mais confiança na Justiça brasileira.