Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Presidente do PT diz não levar Flávio a sério e critica Tarcísio

Edinho Silva diz que partido de Lula não se importa com quem será o representante da direita em 2026

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O presidente do PT, Edinho Silva, disse nesta terça-feira (9) que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República não pode ser levada a sério.

Em conversa com jornalistas na sede nacional do partido em Brasília, o dirigente afirmou que não importa quem será o candidato da direita na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Porém, voltou a criticar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), dizendo que ele se comporta como “herdeiro da ultradireita”.

"Claro que cada candidatura vai exigir de nós uma posição tática, mas acho que é muito cedo. Muita coisa vai acontecer até abril e maio do ano que vem. Até porque ninguém se lança candidato num dia e no outro abre para negociação. Nunca vi isso na minha vida. Tenho quarenta anos de vida política. Diz que é candidato e no outro dia vem aqui para negociar. Então, não dá para levar a sério", disse.

Edinho afirmou ainda que Flávio erra, inclusive, no processo de negociação ao dizer que sua candidatura “tem um preço”.

"Não é que eu não estou levando a sério. Anuncia que é candidato num dia, no outro diz ‘tô aqui negociando’? Inclusive no processo de negociação ele está errando. Ele tinha que endurecer um pouco mais para valorizar a negociação. Deixa para dizer isso lá na frente. Nem quem quer negociar vai levar a sério", disse.

Segundo o dirigente, o PT precisa estar mais preocupado em mostrar as entregas do presidente e comparar o Brasil que foi entregue a Lula após a gestão de Jair Bolsonaro (PL).

"Não importa muito quem vai ser o adversário, se vai ser o Flávio ou se vai ser outro. Importa muito pouco para nós. Não é discurso. O desafio maior do nosso lado é mostrar o que o presidente tem feito", afirmou.

O presidente do PT disse que qualquer candidato do outro espectro político deve vir com 30% dos votos do eleitorado, a não ser que seja uma liderança muito frágil. "Se for uma liderança razoável, vem com mais de 30% dos votos. A sociedade está muito polarizada", observou.

Assim como na recente resolução do diretório nacional do PT, Edinho voltou a criticar o governador de São Paulo, nome preferido do Centrão para disputar com o presidente Lula. O petista afirmou que Tarcísio se comporta como um “herdeiro da ultradireita”.

"Eu não sei se o Tarcísio vai ser candidato a presidente da República. O que o Tarcísio faz questão é de ocupar o lugar de líder do campo de ultradireita, faz questão de se caracterizar como o herdeiro da ultradireita", disse.

Edinho acusou Tarcísio de mobilizar os governadores da direita para descaracterizar o PL Antifacção, que teve como relator o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), então secretário de Segurança Pública de São Paulo.

"De fato, ele está disputando para ser o interlocutor, o herdeiro da ultradireita. Ele vai ser o candidato? Não sei. Tem muito a acontecer na política brasileira para cravar que ele será o candidato a presidente."