Larissa Rodrigues
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Larissa Rodrigues

Acompanha de perto as articulações do Congresso com o Executivo e como a relação entre os Poderes interfere na vida da população e na economia do país

De Haddad à conta de luz: o "motim" do Congresso em cinco pontos

Planalto acordou nesta quarta-feira (25) tentando entender por que Hugo Motta decidiu colocar derrubada do IOF em votação

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O Palácio do Planalto passou a manhã tentando entender por que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu colocar em votação o projeto que derruba  a alta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

O governo entendeu. E, agora, o sentimento é de que não há muito o que fazer -- a derrota chegará. Até mesmo o Senado Federal já se articula para votar o texto, que ainda nem foi aprovado na Câmara.

No início da tarde, segundo interlocutores, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mandava o seguinte recado para os líderes da Casa: se Câmara votar hoje a derrubada do IOF, o Senado também votará.

Em resumo, após diversas reuniões, pedido de ajuda e até mesmo intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo federal acredita que esse “motim” do Congresso Nacional pode ser entendido em cinco pontos:

1) Fernando Haddad

Para deputados e senadores, o ministro da Fazenda saiu de “ótimo articulador” para um dos maiores problemas do governo. Falas recentes de Haddad acusando o Congresso de “não ter votado quase nada” e “não pensar nos mais pobres” teriam gerado revolta não só na Câmara, como também alimentado a vontade de acelerar a derrubada do IOF no Senado.

2) “Pressão” do Centrão sobre Hugo Motta

O presidente da Câmara dos Deputados teria se “cansado” das cobranças constantes dos partidos de Centro – que apoiaram fortemente sua eleição. Motta estaria disposto a deixar sua marca e sair do foco das acusações de que estaria sempre “em cima do muro”.

3) Emendas

A demora no pagamento de emendas parlamentares e, em especial, decisões recentes do STF (Supremo Tribunal Federal) que dificultaram a liberação de emendas da área da saúde são apontadas como um dos maiores problemas na relação do Congresso com o Planalto em 2025. Para os parlamentares, o governo pode até ter começado a pagar, mas ainda segue devendo.

4) Governo contra aumento do número de deputados

Críticas de ministros do governo ao projeto de lei que aumenta de 513 para 531 o número de vagas para deputados federais também foram mal recebidas. As falas teriam irritado Motta que acordou com Alcolumbre a votação do texto no Senado ainda nesta quarta-feira.

5)  Aumento da conta de luz

Motta também teria ficado irritado com a postura do governo de colocar o Congresso Nacional como "vilão" pelo aumento das tarifas de energia. Isso porque os parlamentares derrubaram, na semana passada, vetos presidenciais ao marco legal das eólicas offshore, que podem gerar um custo adicional de R$ 197 bilhões nas tarifas de energia ao longo dos próximos 25 anos.