3 coisas que brasileiro fala em inglês e soa estranho
Muitas vezes, o brasileiro traduz uma estrutura que funciona perfeitamente em português, o americano entende, a gramática está correta, mas alguma coisa soa estranha

Você pode falar uma frase gramaticalmente correta em inglês e, ainda assim, fazer um americano pensar: “Hum... ninguém fala assim.”
E isso acontece muito mais do que você imagina.
Depois de tantos anos ensinando inglês para brasileiros e vivendo nos Estados Unidos, percebi que um dos maiores desafios de quem aprende uma segunda língua não é simplesmente falar certo. É falar de uma maneira natural.
Porque existe uma diferença enorme entre saber inglês e saber como as pessoas realmente usam o inglês.
Muitas vezes, o brasileiro traduz uma estrutura que funciona perfeitamente em português. O americano entende. A gramática pode até estar correta. Mas alguma coisa soa estranha.
Separei três exemplos que escuto com frequência.
“I have a doubt”
Essa é clássica. O brasileiro quer dizer: “Eu tenho uma dúvida.”
E traduz: I have a doubt.
A frase existe em inglês. O problema é que "doubt" está normalmente relacionado a incerteza, desconfiança ou falta de convicção.
"I have doubts about this decision." Tenho dúvidas sobre essa decisão.
Quando você está em uma aula, reunião ou conversa e simplesmente quer fazer uma pergunta, o mais natural é: "I have a question".
Parece uma diferença pequena, mas é exatamente esse tipo de detalhe que começa a separar o inglês traduzido do inglês natural.
“I’m going to make a party”
Em português, nós fazemos uma festa. Então é natural que o brasileiro pense: “fazer” = "make" e diga: "I’m going to make a party". Provavelmente todo mundo vai entender.
Mas um americano normalmente diria: "I’m going to have a party" ou "I’m going to throw a party".
E aqui está uma das armadilhas de aprender inglês traduzindo palavra por palavra. Make significa “fazer” em inúmeras situações, mas isso não significa que toda vez que usamos “fazer” em português devemos usar make em inglês. Línguas não funcionam como uma planilha de equivalências.
“I’m fine, thank you. And you?”
Calma. Não estou dizendo que está errado. Está corretíssimo. O problema é que muita gente aprendeu essa resposta quase como uma fórmula matemática:
- How are you?
- I’m fine, thank you. And you?
Na vida real, especialmente nos Estados Unidos, você vai ouvir respostas muito mais simples:
- Good. You?
- I’m good. How about you?
- Pretty good.
- Doing well.
E dependendo da situação, o famoso "how are you?" nem é exatamente uma pergunta sobre como você está. Pode ser simplesmente uma saudação. É por isso que, quando alguém pergunta "how are you?" no elevador, você provavelmente não precisa começar a contar como foi sua semana.
Então meu inglês está errado? Não necessariamente. E talvez essa seja a parte mais importante.
Existe uma diferença entre erro gramatical, escolha inadequada de vocabulário e uma frase que simplesmente não é a maneira mais natural de um falante se expressar naquela situação.
Durante muito tempo, o ensino de inglês esteve extremamente preocupado em ensinar o aluno a não errar. Mas comunicação não é só isso. Você pode dominar tempos verbais, decorar centenas de palavras e conhecer todas as regras de gramática — e ainda chegar aos Estados Unidos e perceber que as pessoas falam de um jeito
muito diferente daquele que estava no seu livro.
Foi exatamente sobre isso que escrevi recentemente quando falei das expressões do inglês da vida real. Aprender uma língua também significa entender contexto, cultura, intenção e uso.
Por isso, quando meus alunos me perguntam: “Leo, mas está errado falar assim?” Muitas vezes minha resposta é: "Não, mas eu não falaria assim".
E essa diferença vale uma aula inteira.



