Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Lourival Sant'Anna
    Blog

    Lourival Sant'Anna

    Analista de Internacional. Fez reportagens em 80 países, incluindo 15 coberturas de conflitos armados, ao longo de mais de 30 anos de carreira. É mestre em jornalismo pela USP e autor de 4 livros

    Pesquisa indica vitória da extrema direita em eleições antecipadas na França

    Macron fez aposta arriscada no calor das pesquisas de boca de urna do Parlamento Europeu

    Marine Le Pen, candidata presidencial de extrema-direita na França
    Marine Le Pen, candidata presidencial de extrema-direita na França 07/04/2022REUTERS/Albert Gea

    O presidente francês, Emmanuel Macron, fez uma aposta arrojada ao antecipar as eleições para a Assembleia Nacional, previstas para 2027, e convocá-las para os dias 30 de junho e 7 de julho, em dois turnos. Uma pesquisa publicada nessa segunda-feira (10) revela que, se as eleições fossem hoje, o partido de extrema direita União Nacional, de Marine Le Pen, venceria.

    De acordo com a pesquisa, realizada pela Toluna Harris Interactive for Challenges, M6 e RTL, o partido eurocético e anti-imigração saltaria dos atuais 88 deputados para 235 a 265. A bancada não seria suficiente para obter maioria absoluta, que requer 289 cadeiras.

    A aliança de centro liderada por Macron encolheria dos atuais 250 deputados para 125 a 155. Já os partidos de esquerda, que fazem oposição ao governo mas também não se aliam à extrema direita, passariam a somar de 115 a 145 cadeiras.

    A eventual formação de um gabinete liderado pela União Nacional levaria a uma coabitação com o presidente, já que o mandato de Macron só termina em 2027. Mas mesmo que essas intenções de voto se confirmem, não é necessário que o grupo de Le Pen consiga formar governo.

    Pode ser que o centro e parte da esquerda se unam, talvez para barrar a extrema direita e permitir a Macron formar um governo de minoria. A esquerda votaria pela instalação do gabinete mas não apoiaria suas políticas públicas, resultando em um governo imobilizado.

    Le Pen, derrotada por Macron em 2017 e em 2022, é favorita nas pesquisas para as eleições presidenciais de 2027.

    A estratégia de Macron ao convocar subitamente as eleições é dar um choque no eleitor francês. Uma coisa é depositar um voto de protesto nas eleições parlamentares europeias; outra coisa é eleger um governo de extrema direita.

    Na eventual formação de um governo da extrema direita, Macron apostaria também no desgaste deles, até a realização das eleições em 2027. O apoio francês à Ucrânia, por exemplo, poderia ficar comprometido.

    Os franceses estão descontentes com o aumento do custo de vida resultante do descompasso entre oferta e demanda depois do fim da pandemia e das sanções contra o petróleo e gás da Rússia. E uma parte deles não aprova as reformas liberais de Macron, que incluem a elevação da idade de aposentadoria de 62 para 64 anos e a retirada de subsídios para combustíveis, por exemplo.

    A União Nacional propõe o aumento dos gastos, apesar do déficit crescente, priorizar os cidadãos franceses na prestação dos serviços públicos e inibir a imigração.

    Os mercados não gostam da ideia. O euro caiu 0,6% na segunda-feira frente ao dólar e as ações de primeira linha na Bolsa de Valores de Paris, 1,4%.

    As eleições antecipadas ocorrerão pouco antes da abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, dia 26 de julho, elevando sua repercussão internacional.

    Macron convocou as eleições na tarde de domingo (9), depois que pesquisas de boca de urna indicaram a vitória do grupo de Le Pen nas eleições ao Parlamento Europeu. A União Nacional obteve 31,4% dos votos, ante 14,6% para a aliança Renascimento, de Macron.

    A extrema direita cresceu também na Alemanha. A Alternativa para a Alemanha, de origem nazista, aumentou sua votação para o Parlamento Europeu de 11%, em 2019, para 16%. O Partido Social-Democrata, do chanceler Olaf Scholz, ficou num humilhante terceiro lugar, com 14%. Entretanto, diferentemente do que aconteceu na França, a União Democrata-Cristã, oposição de direita moderada, ficou em primeiro lugar, com 30%.

    Apesar do crescimento da extrema direita, os conservadores moderados continuam predominando no Parlamento Europeu, que tem 720 cadeiras. O mais votado foi o Partido Popular Europeu, de centro, que pelas projeções ficou com 186 cadeiras. Somando aos Socialistas e Democratas, com 135, Renova Europa, com 79, e Verdes, com 53, as forças moderadas alcançam 453 deputados.

    Já a extrema direita deve obter 131 cadeiras – a soma dos Conservadores e Reformistas Europeus, com 73 deputados, e da Identidade e Democracia, com 58. A esquerda forma uma força separada, com 36 cadeiras. As 100 cadeiras restantes devem ir para independentes, segundo os resultados preliminares.