Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Piloto de corrida e influencer: veja novos deputados do Parlamento Europeu

    Milhões de europeus foram às urnas para eleger os 720 membros do próximo Parlamento Europeu no final de semana

    Bandeiras da União Europeia do lado de fora da Comissão Europeia, em Bruxelas
    Bandeiras da União Europeia do lado de fora da Comissão Europeia, em Bruxelas 14/07/2021 REUTERS/Yves Herman

    Inti LandauroCrispian BalmerMarek Strzeleckida Reuters

    Milhões de europeus foram às urnas para eleger os 720 membros do próximo Parlamento Europeu na eleição que começou na quinta-feira (6) e estendeu até domingo (9). Uma vez contabilizados os votos do bloco de 27 nações, a estimativa é que os resultados mostrem uma mudança significativa para a extrema direita, o que poderá ter implicações importantes para a direção política da União Europeia.

    Embora a atenção se tenha concentrado para os ganhos da extrema direita nas eleições europeias, diversos candidatos da esquerda, do centro e da direita deverão ocupar assentos no parlamento. Confira a seleção de alguns dos deputados recém eleitos:

     

     

    • República Checa

    Filip Turek – Partido dos Mortoristas 

    Filip Turek é colecionador de automóveis e ex-piloto checo do Partido dos Motoristas, um grupo eurocético não representado no parlamento checo que afirma defender os direitos dos condutores contra as políticas climáticas da União Europeia.

    Ocupando o terceiro lugar nas eleições da UE, com 10,3%, Turek, de 38 anos, viu a sua popularidade crescer por meio das redes sociais com a sua imagem de “petrolhead” e apelos para remodelar a Europa.

    Mas a polícia também tem investigado fotografias em que o político usou a saudação nazista há alguns anos e outras atividades possivelmente sugerindo simpatia pelos nazistas. Ele não foi acusado e descartou as denúncias como um mal-entendido.

    • Alemanha

    Marie-Agnes Straack-Zimmermann – Alemã Liberal 

    Marie-Agnes Strack-Zimmermann, faz parte do parlamento alemão, o Bundestag, e é especialista militar. A política entrará no Parlamento Europeu pelo Partido Democrático Liberal (FDP).

    Strack-Zimmermann é uma forte defensora da Ucrânia e criticou o chanceler alemão Olaf Scholz, seu parceiro de coligação, por ser hesitante no fornecimento de armas ao país, incluindo os mísseis de cruzeiro “Taurus” da Alemanha.

    A política disse recentemente que Scholz era um “autista sabe-tudo”.

    A mulher de 66 anos liderou uma campanha de grande visibilidade, criticando a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, por impor mais burocracia e regulamentar a economia.

    • Itália

    General Roberto Vannacci – A Liga

    Vannacci é um general do exército italiano que no ano passado publicou um livro depreciando as pessoas LGBTQ+, migrantes, minorias e feministas.

    As ideias do político geraram indignação mas repercutiram positivamente no líder da Liga, de extrema direita, Matteo Salvini, que o inscreveu para ser um dos principais candidatos do partido.

    Em seu livro best-seller, Vannacci questionou se as pessoas de cor poderiam algum dia ser italianas, mesmo que tivessem nascido no país, e defendeu o direito de uma pessoa “odiar”.

    Ex-comandante e paraquedista, de 55 anos, Vannacci era agregado militar na embaixada da Itália em Moscou.

    O político está sob investigação por desvio de dinheiro público durante estada na Rússia, algo que nega. Vannacci também foi suspenso do serviço militar, acusado de desacreditar o exército com seu livro.

    Ilaria Salis – Aliança Verdes e Esquerda (AVS) 

    Salis, uma professora italiana de 39 anos, está detida na Hungria há mais de um ano por alegadamente agredir militantes de extrema direita, algo que nega.

    O caso atraiu indignação na Itália em fevereiro, quando a política foi levada a uma audiência com os pés e as mãos amarradas e uma corrente na cintura.

    Os promotores pedem uma sentença de 11 anos para Salis. A fama da política garantiu-lhe um lugar na lista eleitoral da AVS e, como deputada eleita ao Parlamento Europeu, ela conseguiu imunidade e deve ser libertada pela Hungria.

    • Polônia

    Daniel Obajtek – Lei e Justiça (PIS)

    Daniel Obajtek foi chefe executivo da companhia petrolífera multinacional polonesa Orlen, controlada pelo Estado, de 2018 até que o partido nacionalista Lei e Justiça (PIS) perdeu o poder em 2023. O político atualmente enfrenta várias investigações.

    Os promotores estão investigando se a refinaria diminuiu artificialmente os preços dos combustíveis antes das eleições de 2023 para ajudar o partido. Além disso também esta em análise se a empresa vendeu ativos pertencentes à refinaria polonesa Lotos abaixo do valor para obter autorização regulatória para uma aquisição.

    A perda de cerca de US$ 400 milhões da Orlen Trading Switzerland (OTS) em pré-pagamentos também está sendo investigada.

    Sob a direção de Obajtek, a Orlen adquiriu a editora de jornais Polska Press. Os críticos disseram que foi uma tentativa do PIS de obter mais controle sobre a mídia. Já a empresa afirmou que era uma transação comercial.

    O político faltou a várias audiências agendadas perante uma comissão parlamentar e não compareceu para interrogatório no Ministério Público. Obajtek nega qualquer irregularidade.

    Grzegorz Braun – Confederação 

    Grzegorz Braun, do partido de extrema direita Confederação Polaca, gerou indignação internacional em dezembro, quando pegou em um extintor de incêndio de uma parede na sala do parlamento para apagar velas acesas como parte das celebrações do Hanucá – uma festa judaica, também conhecido como o Festival das luzes

    Depois do episódio, Braun subiu ao pódio na câmara, descrevendo o feriado como “satânico” e dizendo que estava restaurando a “normalidade”.

    O político, que também fez declarações pró-Rússia no passado, já havia ganhado notoriedade com outros casos como jogar no lixo uma árvore de Natal decorada com as cores da União Europeia e da Ucrânia e danificar um microfone durante uma palestra de um historiador do Holocausto.

    • Espanha

    Teresa Ribeira – Partido Socialista 

    A ministra espanhola da Transição Ecológica, Teresa Ribera, de 55 anos, liderará os 20 eurodeputados que o Partido Socialista conseguiu depois das sondagens de opinião terem inicialmente indicado que o partido no poder estava caminhando para uma derrota.

    A tecnocrática Ribera ocupa o cargo de ministério há seis anos e tem sido influente em Bruxelas, onde foi uma defensora da reforma do mercado energético do bloco.

    Enquanto a Espanha ocupava a presidência rotativa da UE no ano passado, a política foi uma figura chave na conferência COP28 em Dubai. Ribera não descartou aceitar um emprego na próxima Comissão Europeia.

    Na Espanha, ela lidera uma ambiciosa agenda verde desde 2018, defendendo uma transição mais difícil e mais rápida para uma economia com zero emissão de carbono.

    Jorge Buxade – Vox 

    Jorge Buxade, de 48 anos, liderou o partido espanhol de extrema direita VOX a uma posição sólida nas eleições de domingo, elevando o número de assentos de quatro para seis.

    Buxade foi a voz do partido em Bruxelas nos últimos cinco anos.

    O desempenho da VOX não foi tão forte como o de outros grupos de extrema direita no bloco e foi mais fraco em termos de percentagem do total de votos do que nas eleições nacionais mais recentes, em julho passado.

    O desempenho do partido foi considerado forte devido à concorrência do influenciador independente Alvise Perez e seu movimento “The Party is Over”, que ganhou três cadeiras.

    Buxade pertence à ala mais conservadora da VOX, cujo líder Santiago Abascal oscila entre uma postura libertária de um governo pequeno e com baixos impostos e posições ultraconservadoras, anti-imigração e anti-direitos LGBTQ+.

    Alvise Perez – “The Party is Over” 

    O influenciador Alvise Perez obteve 800 mil votos e três assentos no Parlamento Europeu, principalmente entre os jovens eleitores do sexo masculino.

    O partido de Perez não tem programa eleitoral, além de propor a construção de uma prisão sem piscina ou ginásio para políticos corruptos. O influenciador prometeu renunciar o seu salário como eurodeputado se fosse eleito.

    O político, que tem vários processos judiciais pendentes por suposta difamação, não fez uma campanha tradicional, mas aproveitou as suas contas nas redes sociais – quase um milhão de seguidores no Instagram, mais de 500 mil assinantes no Telegram – para fazer o seu símbolo, um esquilo com uma máscara do soldado Guy Fawkes, popular em toda a Espanha.

    • França

    Jordan Bardella – Rassamblement Nacional 

    Jordan Bardella é o jovem de 28 anos do partido Rassemblement National (RN) de Marine Le Pen, liderando o partido de extrema direita à vitória sobre os centristas de Macron na votação de domingo.

    Eleito deputado europeu pela primeira vez em 2019, Bardella ajudou a alargar o apelo do RN, liderando esforços para abandonar o seu passado racista, concentrando-se em questões de imigração e críticas à União Europeia.

    O político abraça as raízes de classe trabalhadora nos arredores de Paris, citando a mãe imigrante italiana e Le Pen como as duas mulheres a quem deve tudo.

    O presidente francês, Emmanuel Macron, convocou no domingo eleições parlamentares antecipadas para o final deste mês. Se a extrema direita obtivesse uma maioria absoluta nessa votação, Bardella seria o candidato mais provável a primeiro-ministro.