Luísa Martins
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Luísa Martins

Em Brasília, atua há oito anos na cobertura do Poder Judiciário. Natural de Pelotas (RS), venceu o Prêmio Esso em 2015 e o Prêmio Comunique-se em 2021. Passou pelos jornais Zero Hora, Estadão e Valor Econômico

STF põe governo federal em dilema sobre dívida de MG

Intimada pelo STF, União terá de se manifestar se concorda com adiamento do prazo, em meio a uma repactuação que ainda desagrada a Fazenda

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Em meio às tratativas políticas e econômicas para a renegociação das dívidas dos Estados, o Supremo Tribunal Federal (STF) colocou o governo federal em um dilema em torno do caso de Minas Gerais.

Intimada pela Corte a se manifestar em três dias, a União terá de informar se concorda com a prorrogação do prazo de pagamento, em meio a uma repactuação cujos termos ainda desagradam o Ministério da Fazenda.

O receio do governo federal, neste momento, é abrir mão da retomada do pagamento, que ocorreria a partir do dia 20, e acabar com um acordo que não seja tão vantajoso para os cofres da União.

Isso porque o "Programa de Pleno Pagamento da Dívida”, apresentado nesta terça-feira pelo presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ainda não tem o pleno apoio da equipe econômica do governo.

O texto prevê que o valor principal da dívida - hoje na casa dos R$ 700 bilhões - seja congelado e parcelado em 30 anos. Também muda o indexador que corrige a dívida e permite o uso de ativos do Estado para abatimento do saldo devedor.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não está satisfeito com os termos. Segundo disse a interlocutores próximos, a proposta de Pacheco impacta as contas da União como uma "bomba".

Ao STF, o governador de Minas, Romeu Zema, pede que o prazo seja estendido pelo menos até que o Congresso vote o projeto de Pacheco - o senador quer que isso ocorra antes do recesso parlamentar, que começa dia 18.

O relator original no STF é o ministro Nunes Marques, que em dezembro já havia concedido a prorrogação por 120 dias. Agora, porém, os autos estão com o ministro Edson Fachin, presidente interino do STF na primeira metade do recesso do Judiciário.

Ele atua como uma espécie de “plantonista” para decisões urgentes e despachou no processo na noite de quarta-feira. Segundo o ministro, o tema é "da maior relevância para o federalismo brasileiro".

Ao pedir a manifestação do governo federal, Fachin destacou o "caráter cooperativo e solidário" que, segundo ele, deve conduzir as relações entre Estados e União. "O protagonismo dos entes da federação é primordial", escreveu.