Luísa Martins
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Luísa Martins

Em Brasília, atua há oito anos na cobertura do Poder Judiciário. Natural de Pelotas (RS), venceu o Prêmio Esso em 2015 e o Prêmio Comunique-se em 2021. Passou pelos jornais Zero Hora, Estadão e Valor Econômico

STF se divide sobre aumentar número de deputados

Ala de ministros se preocupa com custos da ampliação

Fachada do prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, em 26 de março de 2024
Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília  • Gustavo Moreno/SCO/STF
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Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm opiniões divergentes quanto à proposta que amplia o número de parlamentares na Câmara dos Deputados de 513 para 527. O projeto deve começar a ser debatido no Congresso Nacional nesta segunda-feira (5).

Criar novas 14 vagas na Câmara é uma medida estudada pelo Poder Legislativo para que a composição das bancadas estaduais se adapte às proporções do Censo de 2022, conforme determinado pelo próprio STF, em julgamento realizado em agosto de 2023.

Para cumprir a decisão do Supremo mantendo o número de 513 deputados, sete estados perderiam cadeiras e outros sete ganhariam. As projeções são do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

A mudança beneficiaria principalmente o Pará e Santa Catarina, que ganhariam quatro deputados cada. O Amazonas teria mais dois. Os estados que teriam mais uma cadeira seriam Ceará, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais.

Devido ao descontentamento natural por parte das bancadas estaduais que perderiam vagas – Rio de Janeiro, Bahia, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Sul, Alagoas e Pernambuco –, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tenta costurar uma solução alternativa.

Nos bastidores da Corte, há quem entenda que aumentar o número de deputados é uma possibilidade viável para cumprir a decisão. Por outro lado, há uma ala mais cética, que considera ser impossível aumentar as bancadas sem criar despesas.

Motta, que pautou um requerimento de urgência sobre a proposta, tem dito publicamente que a Câmara precisa fazer “o dever de casa” para que a adaptação seja feita sem aumento de custos.

O prazo dado pelo STF para a mudança - por meio da edição de uma lei complementar - vai até 30 de junho. Se até lá não houver definição, caberá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar o número de deputados por estado para as eleições do próximo ano.

O processo julgado na Corte foi movido pelo governo do Pará, sob o argumento de que a atual distribuição de cadeiras na Câmara estava defasada em relação à população de cada estado.