Mariana Janjácomo
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Mariana Janjácomo

Correspondente em Washington, Mariana Janjácomo é mestre em jornalismo pela New York University e morou por cinco anos em Nova York antes de se mudar para a capital americana e acompanhar de perto todas as movimentações do governo federal.

Eleições nos EUA: Economia deve determinar escolha de novo Congresso

Alta nos preços preocupa partido de Trump e aumenta chances de oposição retomar controle de pelo menos uma das casas do legislativo americano

A insatisfação com os rumos da economia dos Estados Unidos pode fazer com que os norte-americanos busquem a oposição nas disputas eleitorais para o Congresso. O movimento segue a tendência de outras Midterms, em que o partido no comando da Casa Branca acaba sendo penalizado pela impopularidade de políticas do presidente.

“Quando a economia não vai bem, o partido do presidente não vai bem. Quando o presidente não é muito popular, o partido do presidente também não vai bem. E essa é exatamente a situação em que estamos agora, em que a economia não está indo bem e o presidente não é muito popular”, explica Hans Noel, professor do Departamento de Política da Universidade de Georgetown, em Washington.

As Eleições de Meio de Mandato são chamadas assim porque acontecem justamente no meio do mandato de quatro anos frente à Casa Branca. Em 20 das últimas 22 Midterms, o partido do presidente norte-americano acabou perdendo assentos na Câmara dos Representantes.

As perdas podem ser maiores ou menores, resultando, logicamente, em um impacto maior ou menor na governabilidade do presidente. Ainda assim, o fenômeno faz com que especialistas nos Estados Unidos acreditem que os primeiros dois anos de mandato são o momento em que o presidente tem mais facilidade para colocar suas ideias em prática, já que a oposição tende a ser a maior no Congresso nos outros dois anos.

Em 2010, durante o governo Barack Obama, os democratas perderam o controle da Câmara dos Deputados para os republicanos em uma derrota de mais de 60 assentos, além de quase perderem a maioria no Senado também. Um reflexo do descontentamento da população com os reflexos da então recente crise econômica, além da rejeição aos planos para a área de saúde de Obama.

Em 2018, o próprio Donald Trump perdeu o controle da Câmara dos Deputados para a oposição, apesar de ter conseguido expandir a maioria entre os senadores. Diferentemente do que acontece na Câmara, apenas um terço dos assentos no Senado está em jogo nas Midterms - o perfil dos estados onde as disputas acontecem a cada ano acaba contribuindo para os resultados.

De forma geral, as Eleições de Meio de Mandato funcionam, então, como um plebiscito do presidente norte-americano, um termômetro para medir a aprovação da presidência. E o termômetro, no momento, não traz boas notícias para Trump.

Apenas 33% dos americanos aprovam o atual governo, segundo pesquisa Reuters/Ipsos do fim de agosto. A baixa aprovação se deve principalmente à economia, com os preços pressionados pela inflação. Em meio à guerra contra o Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz, os preços da gasolina ultrapassaram os 4 dólares pelo galão pela primeira vez desde 2022.

Diferentes cenários possíveis

Apesar dos fatores indicando a possibilidade de vitória dos democratas neste ano, especialistas alertam para diferentes cenários que podem se tornar realidade. Um deles é a polarização.

“Podemos ter chegado a um país tão, mas tão polarizado, em que cada vez menos pessoas escolhem seu voto baseadas nas mudanças do dia a dia, mas, sim, escolhem para manter um partido no poder”, explica o professor Hans Noel. “Nesse universo, democratas sempre serão leais aos democratas e republicanos sempre serão leais aos republicanos.”

Além disso, as fragilidades dos republicanos provocadas pelas políticas de Trump não são, automaticamente, forças dos democratas, que sofrem com um partido cada vez mais fragmentado. Segundo Hans Noel, as divisões são tantas que democratas enfrentam dificuldades para encontrar a melhor forma de atingir seus objetivos - e até mesmo de definir quais são esses objetivos.

“Alguns democratas preferem a segurança, lançar candidatos mais moderados para tentar maximizar o número de ganhos nas Midterms, enquanto outros veem agora uma oportunidade para impulsionar a ala mais progressista do partido”, afirma.