Matheus Teixeira
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Matheus Teixeira

Especializado na cobertura dos Três Poderes, é repórter há 15 anos, com passagens por Folha de São Paulo, Correio Braziliense, JOTA, Conjur e Revista Exame.

Pesquisas: entidade diz que Kassio “confunde ciência com bola de cristal“

Associação que representa empresas critica criação de selo para institutos que se aproximarem de resultado do pleito

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A Abep (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa) criticou a proposta apresentada nesta terça-feira (14) pelo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, de criar um selo de qualidade para institutos cujas pesquisas fizerem as previsões mais próximas do resultado eleitoral.

A entidade afirma que “exigir que uma pesquisa ‘acerte’ o resultado é confundir ciência com bola de cristal” e que a medida gera um “incentivo perverso”.

“Causa especial preocupação que a Justiça Eleitoral pretenda assumir o papel de árbitro da qualidade das pesquisas a partir de um critério tecnicamente equivocado. A avaliação da qualidade de um levantamento deve considerar metodologia, desenho amostral, transparência, execução do campo e aderência às boas práticas científicas — não apenas a proximidade entre um retrato da opinião pública e um resultado que ainda estava por acontecer quando a pesquisa foi realizada”, afirma a entidade por meio de nota.

A proposta de Kassio visa conceder um selo de acurácia a institutos que mais se aproximarem do resultado oficial das eleições.

A iniciativa prevê que o selo será concedido nos anos em que houver eleições gerais e terá por escopo as eleições para as chefias do Poder Executivo Nacional, Estadual ou Distrital.

O presidente do TSE avalia que o selo contribuiria para a precisão entre os dados levantados pelas pesquisas e os resultados oficiais das eleições e incentivaria o aprimoramento contínuo da qualidade metodológica das pesquisas eleitorais.

O texto busca estimular a observância das normas relativas ao registro e à divulgação de pesquisas eleitorais e foi proposto após o ministro vetar a veiculação da pesquisa AtlasIntel que apontou, pela primeira vez, queda no desempenho de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a revelação do caso Dark Horse.

O ministro deixou claro, em reunião com os institutos de pesquisa, que ainda receberá novas sugestões para a proposta final.