Matheus Teixeira
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Matheus Teixeira

Especializado na cobertura dos Três Poderes, é repórter há 15 anos, com passagens por Folha de São Paulo, Correio Braziliense, JOTA, Conjur e Revista Exame.

Master: BRB virou sócio de mais de 100 restaurantes e 4 shoppings

Para compensar as perdas, Master repassou ao Banco de Brasília ativos com valor de mercado, entre eles estabelecimentos de renome

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As fraudes na compra do Banco Master levaram o BRB (Banco de Brasília) a se tornar sócio de fundos que administram mais de 100 restaurantes e quatro shoppings espalhados pelo Brasil.

Para compensar as perdas após a venda de títulos fraudulentos para o banco estatal, o Master repassou ao BRB ativos que tinham valor de mercado. A operação ocorreu no ano passado e a atual gestão do BRB, sob comando de Nelson Antonio de Souza, avalia negociar esses ativos.

Um deles diz respeito ao fundo Strelitzia, que tem como um dos administradores o Reag Trust Administradora de Recursos, que está no centro do escândalo do Master.

O Strelitzia, que, agora, tem como sócio o BRB, é um dos donos de um dos maiores grupos de bares e restaurantes do país.

Trata-se do Alife Nino, que responde por 14 marcas e tem mais de 70 operações em 11 estados brasileiros. Entre eles, estão os restaurantes Nino, Peppino, Irajá Reduz e os bares Boteco Rainha, Boteco Boa Praça e o Eu Tu Eles, entre outros.

O grupo é um dos dez maiores de food service do Brasil e, ano passado, adquiriu por R$ 198 milhões um concorrente, o Drumattos, que tem mais de 70 restaurantes e é dono do Camarada Camarão e do Camarão & Cia.

O presidente do Alife Nino é Pedro Silveira, ex-CEO da XP Internacional e ex-CFO do Corinthians.

De forma similar, o BRB tornou-se um dos sócios do fundo Macam e, consequentemente, passou a ser sócio de quatro shoppings em diferentes localidades: Brasília, Paraná, Goiás e Espírito Santo.

A instituição financeira brasiliense tem participação em, ao menos, oito fundos de investimentos com envolvimento nas fraudes do Banco Master. Desta maneira, o banco virou sócio de uma série de ativos – alguns podres e outros com valor de mercado.

O repasse de ativos saudáveis do ponto de vista financeiro ocorreu a partir de julho do ano passado e não consta no último balanço patrimonial divulgado pelo BRB, que é relativo a junho.

Por meio de nota, o BRB afirmou que acompanha as apurações do Banco Central e que “prioriza ações de fortalecimento de liquidez, redução de riscos e otimização de capital”.

“O BRB informa que todas as operações citadas no âmbito da Operação Compliance Zero, e que possam ter relação com a instituição, já estão sob análise na investigação independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll”, diz o texto.

E complementa: “A instituição permanece comprometida com elevados padrões de integridade e em conformidade com as normas do Sistema Financeiro Nacional, mantendo cooperação integral e contínua com todas as autoridades responsáveis pelas investigações”.

A reportagem procurou o grupo Alife Nino, mas não obteve resposta. Os responsáveis pelo Fundo Macam não foram localizados.

Veja lista de restaurantes:

  • Nino
  • Ninetto
  • Peppino
  • Forno da Pino
  • Fame
  • Da Marino
  • Giulietta
  • Irajá Redux
  • Rainha Bar e Restaurante
  • Princesa Bar e Restaurante
  • Boteco Boa Praça
  • Tatuzinho
  • Tatu Bola Bar e Grelha
  • Eu Tu Eles Bar e Grelha