Pedro Côrtes
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Pedro Côrtes

Professor titular da Universidade de São Paulo (USP) e um dos mais renomados especialistas em Clima e Meio Ambiente do país.

Copa do Mundo: Chuva ameaça cerimônia de abertura do Mundial no Azteca

Previsão aponta 70% de probabilidade de precipitação para a tarde desta quinta-feira, em que México e África do Sul abrem o Mundial diante de 87 mil torcedores

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A Cidade do México vai acordar sob nuvens carregadas nesta quinta-feira, 11 de junho, quando começa a Copa do Mundo de 2026. De acordo com o Serviço Meteorológico Nacional do México, a previsão para o histórico Estádio Azteca aponta temperatura máxima de 24 °C e probabilidade de chuva de 70% durante o período em que acontecem as celebrações.

É uma combinação comum nesta época do ano na capital mexicana, mas que aumenta a atenção dos organizadores para a maior cerimônia de abertura já realizada em um Mundial.

O evento principal começa às 14h30 (horário de Brasília), com o jogo inaugural entre México e África do Sul marcado para as 16h. A janela de maior risco meteorológico coincide com o período em que estarão concentradas as atividades ao ar livre no gramado do Azteca.

Chuvas convectivas de tarde são fenômeno recorrente na Cidade do México entre maio e outubro, resultado da circulação atmosférica típica do planalto central mexicano durante a estação chuvosa.

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A boa notícia para os 87 mil torcedores esperados no estádio é que o Azteca dispõe de cobertura parcial nas arquibancadas, o que deve reduzir o desconforto provocado pela chuva. O campo e a área destinada às apresentações artísticas, porém, permanecem totalmente expostos às condições meteorológicas.

O palco receberá nomes como Shakira, J Balvin, Alejandro Fernández, Belinda, Los Ángeles Azules e Maná, em uma produção que envolve equipamentos eletrônicos e estruturas sensíveis à precipitação.

Do ponto de vista climático, a temperatura prevista representa um fator favorável. A altitude de aproximadamente 2.240 metros acima do nível do mar atenua o calor e proporciona condições de conforto térmico superiores às observadas em cidades localizadas ao nível do mar.

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Para atletas e espectadores, o principal fator de atenção não é a temperatura, mas sim a possibilidade de chuva e descargas elétricas associadas às tempestades típicas desta época do ano.

Os dados climatológicos reforçam esse cenário. Junho marca o início da estação chuvosa na Cidade do México, com precipitação média mensal superior a 120 milímetros e aumento gradual da frequência de pancadas de chuva no período da tarde e início da noite.

Embora episódios de precipitação intensa façam parte do padrão climático local, as temperaturas costumam permanecer moderadas, com máximas médias entre 23 °C e 25 °C, reduzindo significativamente o risco de estresse térmico.

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A FIFA mantém protocolos específicos para situações de clima severo durante seus eventos. Em caso de tempestades com atividade elétrica nas proximidades do estádio, autoridades locais e responsáveis pela operação podem determinar interrupções temporárias de cerimônias ou partidas até que as condições sejam consideradas seguras para atletas, trabalhadores e público.

Em grandes competições esportivas, o risco associado aos raios costuma representar preocupação maior do que a própria chuva.

O cenário da Cidade do México contrasta com o de outras sedes da Copa. Enquanto a capital mexicana enfrenta principalmente o risco de precipitações e trovoadas típicas da estação, cidades como Miami, Houston e Dallas convivem com preocupações relacionadas ao calor e à elevada umidade. Nessas localidades, a combinação entre temperatura e umidade pode elevar significativamente a sensação térmica e aumentar o desgaste fisiológico dos atletas ao longo da competição.

Para além do espetáculo esportivo, a abertura da Copa de 2026 no Azteca será também um teste de resiliência operacional. Uma interrupção por atividade elétrica, ainda que breve, afetaria diretamente a janela de transmissão ao vivo para mais de 1,5 bilhão de espectadores estimados pela FIFA — com impacto imediato sobre contratos publicitários avaliados em bilhões de dólares. O clima, nesta quinta-feira, não é apenas pano de fundo. É variável de risco.