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    Pedro Duran
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    Pedro Duran

    O pai do Benjamin passou pela TV Globo, CBN e UOL. Na CNN, já atuou em SP, Rio e Brasília e conta histórias das cidades e de quem vive nelas

    Datena candidato garantiria verbas e levaria São Paulo ao topo das apostas do PSDB nas eleições

    Tucanos preparam um aporte de R$ 20 milhões de verbas partidárias para cidades relevantes e com chances de vitória

    Sob ceticismo do próprio partido, o apresentador José Luiz Datena (PSDB) lançará sua candidatura oficialmente na sede do Novotel Jaraguá na próxima quinta-feira (13). Serão 23 dias de expectativa entre o lançamento e uma eventual desistência do apresentador, que já passou por 11 partidos e desistiu de quatro eleições.

    Isso porque o prazo para Datena deixar a televisão a tempo de começar a campanha, segundo as regras da Justiça Eleitoral, é 6 de julho. Até lá, os tucanos terão de segurar a apreensão e assumir a candidatura como uma realidade para não ameaçar a construção da chapa de vereadores.

    O calendário prevê um encontro de candidatos a 120 cidades paulistas no dia 22 de junho no hotel WTC. A tônica da reunião deve ser um reposicionamento do partido mirando a centro-direita e a elaboração de um mapa com o desenho de onde estarão as candidaturas mais viáveis para que os recursos sejam bem aproveitados.

    Líderes tucanos ouvidos pela CNN afirmam que, com Datena candidato, sete cidades paulistas devem receber cerca de R$ 20 milhões em recursos dos partidos para turbinar as campanhas de seus candidatos. A lista inclui, além da capital, as cidades de Ribeirão Preto, Marília, Piracicaba, Atibaia, Taboão da Serra e Santo André.

    Ancorado no discurso do deputado federal Aécio Neves, de que “há vida inteligente fora dos extremos”, o PSDB deve se assumir como nem-nem nas eleições municipais. Nem Lula nem Bolsonaro.

    A mira na centro-direita afasta ainda a possibilidade de uma aliança com Tabata Amaral, vista como personagem de esquerda e pré-candidata do PSB.

    Isso significa que, caso Datena desista, os tucanos não veem ‘nenhuma empolgação em dar uma seta pra esquerda’ e terão um desafio pela frente: encontrar um substituto ou alguém para apoiar. A decisão ficaria a cargo da executiva nacional.

    O problema é que o partido já perdeu oito vereadores e um suplente que decidiram apoiar Ricardo Nunes (MDB) e aproveitaram a janela partidária para migrar para outras janelas. Dar um passo para trás e declarar apoio ao atual prefeito terá feito todo esforço pela candidatura própria se configurar um verdadeiro desastre político.

    Por outro lado, os outros dois candidatos com viabilidade eleitoral: Guilherme Boulos (PSOL) e Tabata Amaral (PSB), estariam posicionados num campo onde os tucanos não pretendem entrar.

    Para piorar, a escolha do candidato a prefeito é muito relevante para emplacar uma boa lista de candidatos a vereador. Em eleições municipais, um depende do outro para ter sucesso. Candidatos a prefeitos precisam de bons vereadores como cabos eleitorais nos bairros, propagando suas mensagens. Já os vereadores depende de um bom cabeça de chapa para ter viabilidade eleitoral.

    Mas muitos dos nomes fortes do PSDB paulista desertaram do partido. Justamente por isso, a ideia é que, em confirmando a candidatura de Datena, o presidente municipal e ex-senador, José Aníbal, seja o vice. Ele, aliás, que deve organizar o plano de governo de Datena e as visitas a setores sociais e econômicos e aos bairros.

    Datena aparece bem posicionado nas pesquisas, com 10% a 15% de largada e um nome conhecido, o que garante pelo menos um terceiro ou quarto lugar pra começo de conversa. Mesmo assim, pelo prazo avançado, o próprio PSDB vê a formação de uma coligação como algo improvável.

    O cenário é tão difícil que os tucanos que restaram reconhecem o impasse no ar: se Datena desistir não há plano B e o fiasco de ter feitos sucessivas apostas erradas pode sepultar de vez a legenda em seu berço, a capital paulista.