São Paulo, BH e Rio: bairros dos extremos tem maior alerta para dengue nas capitais do Sudeste
Operação da Polícia Militar de São Paulo traçou os bairros como prioritários para a ação dos agentes
Um levantamento feito pela CNN com base em dados das secretarias de Saúde de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte mostram que o maior alerta está voltado para bairros nos extremos das capitais e longe do centro.
No caso de Belo Horizonte, os mesmos bairros que apresentaram explosão de casos em janeiro, seguem sendo os maiores focos de preocupação das autoridades de saúde. São as regiões de Barreiro, Nordeste e Venda Nova. Na regional de Barreiro foram 332 casos suspeitos ou confirmados nos primeiros 20 dias de janeiro.
Até a última terça-feira (12), o número subiu para 10,7 mil. Na região Nordeste já são 10,1 mil no ano, 253 deles apenas nos primeiros 20 dias de 2024.
Em Venda Nova, que tem limite com a cidade de Santa Luzia, na área metropolitana de BH, já foram registrados 11,4 mil casos suspeitos ou confirmados. A região foi também a que mais teve casos nos primeiros 20 dias do ano, com 347 registros.
Ou seja, as três regiões, de um total de nove na cidade, respondem juntas por 46% dos casos suspeitos e confirmados dos quase 70 mil registros de dengue até agora. Todas elas ficam nos extremos, nas divisas com outros municípios, e mais afastadas do centro, sendo Barreiro no extremo sul e Venda Nova no extremo norte.
Na cidade de São Paulo, fontes da Coordenadoria de Vigilância em Saúde, afirmaram à CNN que os primeiros focos foram detectados na zona oeste, no bairro do Jaguara, no limite com municípios que tiveram muitos casos no ano passado.
Depois a dengue chegou ao extremo leste e afetou bairros com alta densidade demográfica, como Itaquera – um dos maiores da cidade –, São Miguel Paulista e Ermelino Matarazzo. A percepção é de que pode ter havido um ciclo de transmissão iniciado em municípios do Alto Tietê como Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Poá e Suzano.
Os registros de um aumento significativo de casos mais recentes se localizam na zona norte, mais especificamente nos bairros de Jaçanã, Tremembé, Parque São Domingos e Vila Guilherme. Nesses locais, a dengue sobe de forma 'exponencial' segundo autoridades de saúde.
O maior bairro do Rio de Janeiro é também o principal foco da dengue hoje: Campo Grande. Por lá, já são mais de 5 mil casos confirmados. Campo Grande é um bairro amplo e tomado por loteamentos.
É também na zona oeste que se concentram outros dois bairros com grande incidência da presença do Aedes aegypti: Santa Cruz e Guaratiba, que ficam quase no extremo, próximos à Baía de Sepetiba.
Fontes da área da Saúde desses três municípios afirmam que a forma de transmissão cíclica da dengue favorece o aumento dos casos nos locais onde há maior concentração do mosquito.
Isso se deve ao fato de o Aedes aegypti voar apenas de 150 a 200 metros, mantendo-se em raios curtos. O problema é que, como a dengue é transmitida a partir do momento em que o mosquito pica uma pessoa infectada, locais com mais casos tende a permanecer no topo da lista de transmissão e, portanto, com maior alerta para a doença.



