Priscila Yazbek
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Priscila Yazbek

Correspondente em Nova York, Priscila é apaixonada por coberturas internacionais e econômicas — e por conectar ambas. Ganhou 11 prêmios de jornalismo

Diplomacia brasileira após retirada de sanções: "País deve ser respeitado"

Recuo sobre Lei Magnitsky é comemorado pelo governo Lula, que atribui decisão a esforços diplomáticos

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A retirada do ministro Alexandre de Moraes da lista de pessoas sancionadas pela Lei Magnitsky nos Estados Unidos é resultado do reconhecimento, por parte de Washington, de que o Brasil "é um país que deve ser respeitado e que negocia de boa fé", avaliam fontes da diplomacia brasileira consultadas pela CNN Brasil.

Os interlocutores afirmam que, nesse caso, a decisão do governo americano desta sexta-feira (12) não está relacionada a fatores internos, mas a um esforço diplomático sustentado ao longo dos últimos meses para restabelecer canais de diálogo e reduzir tensões com o governo de Donald Trump.

Uma das fontes reconheceu que, no caso do recuo sobre as tarifas, dois fatores motivaram a decisão: o aumento dos preços nos EUA e os esforços diplomáticos.

Mas, no caso do recuo sobre a Magnitsky, o mérito seria apenas dos esforços do governo brasileiro já que a decisão não traz ganhos do ponto de vista econômico para o governo Trump.

A fonte avalia que ainda há "trabalho pela frente", no âmbito das tarifas de 50% que seguem em vigor para 22% das exportações brasileiras e dos vistos americanos de autoridades brasileiras que foram revogados.

 

As conversas entre o Itamaraty e Washington, que começaram ainda antes da Assembleia Geral da ONU em agosto e seguiram depois dela, envolveram contatos frequentes nos bastidores, em diferentes níveis das diplomacias.

Um dos interlocutores afirma que "houve conversas o tempo todo, diretas, indiretas, com todo o arsenal diplomático em ação".

A estratégia brasileira, dizem as fontes, foi evitar respostas precipitadas, manter uma postura serena e explicar de forma clara e direta o contexto institucional do país.

"Um país que tem a sua Constituição e leis respeitadas é um país que negocia de boa fé no cenário internacional e deve ser respeitado", afirmou uma das fontes.

Na avaliação de integrantes do governo, o Brasil deixou claro que espera ser tratado com respeito e que negocia com transparência, sem intimidação.

Esse posicionamento teria sido determinante para que os Estados Unidos suspendessem a inclusão de Alexandre de Moraes na lista.

Fontes destacam ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve papel central no processo, ao conduzir a relação política com o presidente Donald Trump, enquanto a diplomacia brasileira operou tecnicamente para sustentar a reaproximação.

Segundo esses relatos, o governo brasileiro já tinha sinais de que a medida seria revertida.

Fontes diplomáticas que atuam nos EUA afirmam que a notícia foi recebida como algo muito positivo recuo e visto como uma vitória institucional do Brasil.

E acrescentam que a retirada dos nomes da lista reforça o respeito ao estado democrático de direito no Brasil, à constituição de 1988 e às leis brasileiras.