Com Reino Unido reconhecendo Palestina, EUA ficarão isolados na ONU
Se os britânicos confirmarem a intenção, os americanos serão os únicos membros permanentes do Conselho de Segurança a não reconhecer o Estado palestino

As discussões sobre o reconhecimento Estado Palestino por parte do Reino Unido já estavam acontecendo na conferência da ONU em Nova York antes mesmo de o primeiro-ministro Keir Starmer anunciar, por meio de um comunicado nesta terça-feira (29), a intenção fazê-lo.
O reconhecimento dos britânicos era uma das principais expectativas da reunião de três dias que discute a solução de dois Estados na sede da ONU em Nova York.
Pessoas que acompanham os bastidores das conversas entre os chanceleres afirmam que houve uma pressão sobre os britânicos depois que a França anunciou, na semana passada, que vai fazer o reconhecimento na Assembleia Geral da ONU em setembro.
A conferência, que começou na segunda-feira (28) e vai até quarta-feira (29), tem dois objetivos centrais: o primeiro deles é elevar o número de países que reconhecem a Palestina; e o segundo é elevar o apoio para aprovação da Palestina como membro-pleno da ONU.
Atualmente, 143 países entre os 193 que fazem parte da ONU, reconhecem a Palestina como Estado. Mas entre as grandes potências ocidentais, a França havia sido a única a sinalizar que dará esse passo. Se o Reino Unido se juntar aos franceses, os Estados Unidos serão o único membro permanente do Conselho de Segurança da ONU a não reconhecer a Palestina.
A mudança de visão entre os países ocidentais acontece diante do agravamento da crise na Faixa de Gaza. Diplomatas afirmam que este é um momento oportuno para as potências romperem com a posição das últimas décadas e avançarem no reconhecimento palestino.
Se de fato o Reino Unido e a França oficializarem o reconhecimento em setembro, os Estados Unidos ficarão isolados. E isso representaria uma fratura e uma mudança dramática no alinhamento histórico dos países em relação à questão israelo-palestina.
O secretário de Relações Exteriores britânico David Lammy disse na conferência da ONU nesta terça-feira que o Reino Unido tem um “fardo especial de responsabilidade para apoiar uma solução de dois estados” por causa de seu papel histórico na região.
"E assim é com a mão da história em nossos ombros que o Governo de Sua Majestade pretende reconhecer o estado da Palestina quando a Assembleia Geral da ONU se reunir em setembro aqui em Nova York", disse Lammy em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, que foi fortemente aplaudido.
O reconhecimento da Palestina tem sido enfatizado na conferência da ONU como um primeiro passo crucial para atingir a paz na região. E os gestos de Paris e Londres são um avanço rumo à mudança de status da Palestina, de membro-observador para membro-pleno da ONU.
Há maioria favorável na Assembleia Geral para que os palestinos se tornem membro-pleno - e isso ocorreu na votação realizada em 2024. Mas a palavra final é dada pelo Conselho de Segurança, onde os Estados Unidos têm poder de veto, que foi exercido no ano passado.



