Rita Mundim
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Rita Mundim

A comentarista de economia da CNN é especialista em Mercado de Capitais pela UFMG e em Ciências Contábeis pela FGV. Em 2024, ganhou o prêmio de Influenciadora Coop da Organização das Cooperativas Brasileiras.

Análise: Derrota do governo na Câmara foi "basta" da sociedade

Aumento da dívida pública, elevação de impostos e política de estímulo ao consumo despontam como fatores preocupantes para o cenário econômico brasileiro

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A derrota do governo na Câmara dos Deputados em relação à MP (Medida Provisória) sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) representa uma resposta da sociedade ao aumento constante de impostos, segundo análise de Rita Mundim, comentarista de Economia da CNN.

"O que aconteceu ontem na Câmara foi um 'basta' da sociedade, que já havia dado esse 'basta' através do Congresso com a rejeição da alta do IOF. Chega da gente pagar a conta sozinhos", ressaltou nesta quinta-feira (9).

Segundo a analista, o cenário econômico brasileiro enfrenta desafios significativos devido às políticas governamentais focadas em gastos e estímulo ao consumo.

A relação dívida/PIB durante o governo Lula saltou de 70% para 77,5%, com projeções indicando possível elevação para 80% até o final do ano.

 

"A receita do governo tem crescido em torno de 10% na base anualizada. É um 'saco sem fundo' que só quer gastar em políticas populistas visando a manutenção de poder", completa.

Dados apresentados indicam 27 aumentos tributários nos últimos três anos, sendo 11 em 2023, 8 em 2024 e 7 em 2025.

Impacto nos juros e crédito

O Brasil mantém a segunda maior taxa de juros do mundo, perdendo apenas para a Turquia. A situação é agravada pela política governamental de estímulo ao crédito e benefícios sociais, que pressiona a inflação e dificulta a redução das taxas de juros, destacou a comentarista.

A inflação de serviços, importante indicador monitorado pela autoridade monetária, apresentou queda de 0,39% em agosto para 0,13% em setembro, mas ainda se mantém acima da média geral de 5,17% no acumulado de 12 meses.

Mundim alerta para o conflito entre as políticas monetária e fiscal: enquanto o Banco Central tenta conter o consumo com juros elevados, o governo estimula gastos com novas linhas de crédito e benefícios sociais.

"O Banco Central pisa no freio, o governo pisa no acelerador e o país capota. E a sociedade como um todo paga essa conta ao ter que conviver com essas taxas de juros tão elevadas", afirmou a comentarista.

A carga tributária brasileira, atualmente em 33,3%, é a maior da América Latina, impactando significativamente o setor produtivo e as famílias.

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