Rita Mundim
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Rita Mundim

A comentarista de economia da CNN é especialista em Mercado de Capitais pela UFMG e em Ciências Contábeis pela FGV. Em 2024, ganhou o prêmio de Influenciadora Coop da Organização das Cooperativas Brasileiras.

Conta do Master pode chegar ao contribuinte

Rita Mundim avalia desdobramentos do caso Master e critica "pacote de bondades" do governo federal em ano eleitoral

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Os recentes desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master voltaram à pauta do dia, após nova fase da operação Compliance Zero da Polícia Federal.

A comentarista de Economia do CNN Money Rita Mundim avaliou que a conta das fraudes e da má gestão pode ser repassada a toda a população brasileira, e não apenas aos diretamente afetados.

Um dos pontos centrais da análise de Mundim foi o investimento de cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência, fundo dos servidores do estado do Rio de Janeiro, na instituição financeira.

Segundo a comentarista, propostas em tramitação no Congresso Nacional podem transferir o ônus desse rombo para toda a sociedade.

"A conta pode ser repassada para todos nós", afirmou.

Proposta no Congresso e risco ao Fundo Garantidor de Crédito

Mundim criticou duramente uma proposta atribuída ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), que prevê o pagamento retroativo pelo FGC ()Fundo Garantidor de Crédito dos prejuízos sofridos por institutos de previdência afetados pelo Banco Master.

Para a comentarista, a medida seria um absurdo, pois socializaria os custos da má gestão e da corrupção. "É a mesma coisa de você comprar um seguro hoje para um carro que já bateu", comparou.

Ela destacou que o FGC é constituído por depósitos das próprias instituições financeiras e que seu custo já está embutido no preço do crédito, de modo que ampliar suas obrigações de forma retroativa oneraria toda a sociedade que opera com bancos.

A comentarista também mencionou a tentativa do governo do Distrito Federal de recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que o Tesouro Nacional avalize um empréstimo destinado a salvar o BRB.

"Se o Tesouro Nacional dá o aval nesse empréstimo e o BRB não paga, de quem é a conta? De todos nós brasileiros", questionou Mundim.

Ela também fez referência à chamada "emenda Master", proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), que visava elevar a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, e que, segundo investigações, teria sido redigida dentro do próprio Banco Master.

Pacote do governo e crescimento insustentável

Ao comentar o chamado "pacote de bondades" do governo federal, que prevê a injeção de cerca de R$ 227 bilhões na economia em ano eleitoral, Mundim foi igualmente crítica.

Ela descreveu o cenário como uma "loja" que oferece benefícios em série — desde gás e energia mais baratos até linhas de crédito para reforma de imóveis, troca de veículos e ampliação do programa Minha Casa Minha Vida — sem sustentabilidade fiscal.

"Isso está gerando um crescimento que não é sustentável", afirmou.

A comentarista apontou que, enquanto pesquisas indicam que parte dos brasileiros percebe melhora em suas finanças pessoais, o mercado financeiro já estaria precificando a saída de capital estrangeiro do país.

Segundo ela, a dívida pública crescente, a queda da bolsa de valores e as taxas de juros projetadas acima de 14% para o final de 2026 são sinais claros do problema fiscal.

"A Selic não vai cair e essa conta é de todos os brasileiros", concluiu Mundim, alertando ainda para os impactos sobre pequenos e médios empresários diante de propostas como a redução da escala de trabalho 6x1.

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