Rita Mundim
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Rita Mundim

A comentarista de economia da CNN é especialista em Mercado de Capitais pela UFMG e em Ciências Contábeis pela FGV. Em 2024, ganhou o prêmio de Influenciadora Coop da Organização das Cooperativas Brasileiras.

Trapalhadas de Trump tiram parte do atrativo do dólar como reserva de valor

Decisões do republicano sobre tarifas comerciais e comportamento recente da moeda norte-americana têm impactado positivamente real, com possíveis reflexos na inflação e taxa Selic

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O dólar tem perdido atratividade como reserva de valor devido às ações controversas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, observa a comentarista de Economia do CNN Money, Rita Mundim.

A moeda norte-americana acumula desvalorização de cerca de 10% frente ao real no ano; enquanto o índice DXY, que mede o comportamento do dólar em relação às principais moedas do mundo, registra queda de 8,5% no mesmo período.

"As trapalhadas de Trump tiraram da moeda americana uma grande parte do atrativo como reserva de valor", afirma Mundim. Segundo a comentarista, este movimento não é exclusivo do Brasil, mas uma tendência global que tem beneficiado também outros países emergentes.

Impacto nas projeções econômicas brasileiras

O enfraquecimento do dólar tem favorecido o controle da inflação no Brasil, já que o preço das commodities é cotado na moeda norte-americana. Mundim aponta que, com um dólar mais fraco, a inflação tende a ser mais benigna, o que pode influenciar positivamente as decisões do Banco Central sobre a taxa Selic.

De acordo com o Boletim Focus, as projeções para o PIB de 2025 foram ligeiramente alteradas para cima, com expectativa de crescimento em torno de 2,3% para 2024.

Além disso, houve redução na projeção da taxa Selic para o final do período, o que pode indicar uma calibragem mais forte no primeiro corte de juros pelo Banco Central.

Tarifas comerciais e tensões internacionais

Trump anunciou tarifas globais de 15% utilizando a seção 122 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que permite medidas em caso de risco no balanço de pagamentos do país. Esta decisão ocorreu após a Suprema Corte norte-americana derrubar tarifas emergenciais anteriormente impostas.

Para o Brasil, que havia sido penalizado com tarifas de até 50%, a redução para 15% representa um alívio. No entanto, Mundim alerta que o capital que tem entrado nos países emergentes é volátil e pode se retirar rapidamente diante de mudanças no cenário internacional.

Alerta sobre fragilidades estruturais

Apesar do momento favorável para o câmbio brasileiro, Mundim faz um alerta importante: "O Brasil não sanou o seu problema mais básico, que são as contas públicas. Nós estamos indo para uma relação dívida-PIB buscando 90%. Nós estamos pagando um trilhão de juros por ano".

A analista ressalta que o momento positivo que o país vive é um "bônus" derivado da perda de credibilidade da moeda norte-americana como reserva de valor, e não de melhorias estruturais na economia brasileira.

As reações internacionais às decisões de Trump já começaram a aparecer, com a União Europeia congelando a tramitação de acordo comercial com os Estados Unidos, o que pode aumentar a volatilidade nos mercados globais.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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