Trapalhadas de Trump tiram parte do atrativo do dólar como reserva de valor
Decisões do republicano sobre tarifas comerciais e comportamento recente da moeda norte-americana têm impactado positivamente real, com possíveis reflexos na inflação e taxa Selic
O dólar tem perdido atratividade como reserva de valor devido às ações controversas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, observa a comentarista de Economia do CNN Money, Rita Mundim.
A moeda norte-americana acumula desvalorização de cerca de 10% frente ao real no ano; enquanto o índice DXY, que mede o comportamento do dólar em relação às principais moedas do mundo, registra queda de 8,5% no mesmo período.
"As trapalhadas de Trump tiraram da moeda americana uma grande parte do atrativo como reserva de valor", afirma Mundim. Segundo a comentarista, este movimento não é exclusivo do Brasil, mas uma tendência global que tem beneficiado também outros países emergentes.
Impacto nas projeções econômicas brasileiras
O enfraquecimento do dólar tem favorecido o controle da inflação no Brasil, já que o preço das commodities é cotado na moeda norte-americana. Mundim aponta que, com um dólar mais fraco, a inflação tende a ser mais benigna, o que pode influenciar positivamente as decisões do Banco Central sobre a taxa Selic.
De acordo com o Boletim Focus, as projeções para o PIB de 2025 foram ligeiramente alteradas para cima, com expectativa de crescimento em torno de 2,3% para 2024.
Além disso, houve redução na projeção da taxa Selic para o final do período, o que pode indicar uma calibragem mais forte no primeiro corte de juros pelo Banco Central.
Tarifas comerciais e tensões internacionais
Trump anunciou tarifas globais de 15% utilizando a seção 122 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que permite medidas em caso de risco no balanço de pagamentos do país. Esta decisão ocorreu após a Suprema Corte norte-americana derrubar tarifas emergenciais anteriormente impostas.
Para o Brasil, que havia sido penalizado com tarifas de até 50%, a redução para 15% representa um alívio. No entanto, Mundim alerta que o capital que tem entrado nos países emergentes é volátil e pode se retirar rapidamente diante de mudanças no cenário internacional.
Alerta sobre fragilidades estruturais
Apesar do momento favorável para o câmbio brasileiro, Mundim faz um alerta importante: "O Brasil não sanou o seu problema mais básico, que são as contas públicas. Nós estamos indo para uma relação dívida-PIB buscando 90%. Nós estamos pagando um trilhão de juros por ano".
A analista ressalta que o momento positivo que o país vive é um "bônus" derivado da perda de credibilidade da moeda norte-americana como reserva de valor, e não de melhorias estruturais na economia brasileira.
As reações internacionais às decisões de Trump já começaram a aparecer, com a União Europeia congelando a tramitação de acordo comercial com os Estados Unidos, o que pode aumentar a volatilidade nos mercados globais.



