Análise: Correios não investiram na logística do século XXI
Rita Mundim vê descompasso entre ritmo da estatal e da concorrência no setor
Ao longo dos anos, os Correios perderam espaço significativo no mercado de entregas e logística para novos players, como o Mercado Livre.
A comentarista de Economia do CNN Money, Rita Mundim, avalia que a falta de investimentos em modernização e adaptação às demandas modernas contribuiu para o enfraquecimento da empresa, que anteriormente detinha praticamente o monopólio do setor.
"O problema [dos Correios] é que não tem receita [...] e um aumento vertiginoso das despesas. [...] Ao longo da má gestão, os Correios perderam mercado", pondera Mundim ao quadro Insights do Mercado desta segunda-feira (1º).
"E os Correios não investiram na logística do século XXI, e agora, como você conserta tanto descaso com o dinheiro da empresa? Você tem que mudar o modelo com o carro rodando, com a concorrência correndo muito mais do que você."
Crise dos Correios
A estatal enfrenta uma crise financeira e busca empréstimo de R$ 20 bilhões para tentar equilibrar as contas. A situação da empresa é considerada crítica, com um déficit acumulado de R$ 6,1 bilhões apenas entre janeiro e setembro deste ano.
O empréstimo em negociação deve ter uma taxa de juros em torno de 13,6%, um meio termo entre os 12% desejados pelo Tesouro Nacional e os 14% propostos pelos bancos. No entanto, Mundim destaca que existe preocupação sobre os impactos desta operação no orçamento federal, uma vez que o governo é o avalista da operação.
Entre as alternativas em estudo para recuperar a empresa também estão o fechamento de agências, redução do quadro de funcionários e busca por novos mercados, incluindo a possibilidade de se tornar o principal operador logístico do governo em diversos setores, como na entrega de medicamentos.
Embora exista a discussão sobre um modelo híbrido que poderia incluir uma eventual privatização, atraindo possíveis parceiros do setor privado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou que esta não é uma opção em consideração pelo governo no momento.



