Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Análise: debate reforça polarização e afasta indecisos

Campanhas veem poucos frutos em duelo “nervoso” e “raivoso”

Após um debate marcado por acusações e poucas propostas, fica difícil imaginar que o eleitor indeciso, que rejeita os dois lados, tenha encontrado motivos para definir seu voto. O primeiro confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro foi marcado por provocações pessoais que, em vários momentos, se sobrepuseram à discussão dos problemas reais do país.

As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) admitem, nos bastidores, que o tom belicoso deste domingo (18) reforçou a polarização e teve pouco potencial para conquistar novos eleitores.

Apesar de avaliações diferentes sobre o desempenho dos candidatos, os dois lados reconhecem que o confronto deixou pouco espaço para propostas, contrariando a estratégia anunciada por ambos antes do debate.

No entorno de Lula, a avaliação é que Flávio demonstrou nervosismo, despreparo e agressividade. Aliados do presidente afirmam que o senador não conseguiu responder aos questionamentos sobre o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e consideram especialmente negativa sua reação ao desafio de Lula para que ambos abram os sigilos bancário e telefônico.

O próprio presidente, segundo interlocutores, lamentou a qualidade do confronto em conversa com integrantes da campanha após o debate. A estratégia agora será intensificar as atividades de rua e preparar Lula para o último encontro, previsto para sexta-feira (23), na TV Globo.

Já integrantes da campanha de Flávio consideram que o senador estava mais calmo do que o adversário, embora reconheçam que o formato de confronto livre não favoreceu a apresentação de propostas.

Aliados destacam momentos em que o candidato explorou a segurança pública, a situação dos presídios e as denúncias envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.

Há, no entanto, o reconhecimento de que Flávio ficou na defensiva em alguns momentos e deixou perguntas sem resposta. A avaliação é que, para o próximo debate, o senador precisará ser mais incisivo, responder com maior rapidez e devolver os questionamentos ao presidente.

Apesar das críticas ao desempenho dos candidatos, a conclusão nas duas campanhas é de que o debate deve provocar poucas mudanças nas intenções de voto.

Com a disputa apertada e o eleitorado dividido, sem muita margem para angariar, a leitura é que o confronto serviu para reforçar convicções já existentes, em vez de conquistar novos apoios.