Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Governo vê irrelevância de embaixada dos EUA para negociar crise

Donald Trump mantém apenas encarregado de negócios no Brasil e ainda não indicou embaixador para representar os Estados Unidos em território brasileiro

Palácio do Itamaraty, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília  • Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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O governo brasileiro vê com desconfiança a atuação paralela do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para abrandar a taxação de 50% aos produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na avaliação de diplomatas que negociam diretamente com os EUA, a investida de Tarcísio não deve prosperar pela irrelevância da embaixada norte-americana para negociar questões comerciais.

Trump ainda não indicou um novo representante para a embaixada em Brasília, que está acéfala desde janeiro, quando Elizabeth Bagley - apoiadora do Partido Democrata - deixou o posto de embaixadora e voltou para os Estados Unidos.

Com isso, a embaixada está sendo chefiada interinamente pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar, tido no Itamaraty como alguém do "quinto escalão" e incapaz de influenciar nas negociações com a Casa Branca.

Expressão semelhante foi cunhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2002. Recém-eleito pela primeira vez, o petista chamou de “sub do sub do sub” Robert Zoellick, representante comercial dos EUA, à época principal negociador para a Alca (Área de Livre Comércio das Américas).

Lula havia demonstrado a intenção de renegociar a Alca -- depois finalmente congelada -- e Zoellick respondeu em tom de deboche que, sem o novo bloco, o Brasil acabaria comercializando com a Antártida.

Escobar participa da reunião que o governador promove com 15 empresários exportadores, na manhã desta terça-feira (15), no Palácio dos Bandeirantes.

Interlocutores do presidente acusam Tarcísio de propagar uma ideia errônea de que Escobar tem acesso aos principais nomes do governo americano, a exemplo do secretário de Estado, Marco Rubio.

A negociação no Brasil está em curso, desde abril, com o USTR, sigla para United States Trade Representative (em tradução livre, Representante Comercial dos Estados Unidos).

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSB), enviou ao órgão uma proposta sigilosa ainda sem resposta. Após consulta a setores impactados, Alckmin fará outra investida.

À CNN, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse que “sem dúvida” espera que Escobar remeta o resultado da reunião desta terça a Trump.

“Da nossa parte, cabe mostrar ao encarregado de negócios, o volume das transações, possíveis impactos negativos, que não são só aqui, são lá também [nos Estados Unidos], desenvolver o senso de urgência e pedir que as informações cheguem aos tomadores de decisão”, disse.