Governo vê irrelevância de embaixada dos EUA para negociar crise
Donald Trump mantém apenas encarregado de negócios no Brasil e ainda não indicou embaixador para representar os Estados Unidos em território brasileiro

O governo brasileiro vê com desconfiança a atuação paralela do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para abrandar a taxação de 50% aos produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na avaliação de diplomatas que negociam diretamente com os EUA, a investida de Tarcísio não deve prosperar pela irrelevância da embaixada norte-americana para negociar questões comerciais.
Trump ainda não indicou um novo representante para a embaixada em Brasília, que está acéfala desde janeiro, quando Elizabeth Bagley - apoiadora do Partido Democrata - deixou o posto de embaixadora e voltou para os Estados Unidos.
Com isso, a embaixada está sendo chefiada interinamente pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar, tido no Itamaraty como alguém do "quinto escalão" e incapaz de influenciar nas negociações com a Casa Branca.
Expressão semelhante foi cunhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2002. Recém-eleito pela primeira vez, o petista chamou de “sub do sub do sub” Robert Zoellick, representante comercial dos EUA, à época principal negociador para a Alca (Área de Livre Comércio das Américas).
Lula havia demonstrado a intenção de renegociar a Alca -- depois finalmente congelada -- e Zoellick respondeu em tom de deboche que, sem o novo bloco, o Brasil acabaria comercializando com a Antártida.
Escobar participa da reunião que o governador promove com 15 empresários exportadores, na manhã desta terça-feira (15), no Palácio dos Bandeirantes.
Interlocutores do presidente acusam Tarcísio de propagar uma ideia errônea de que Escobar tem acesso aos principais nomes do governo americano, a exemplo do secretário de Estado, Marco Rubio.
A negociação no Brasil está em curso, desde abril, com o USTR, sigla para United States Trade Representative (em tradução livre, Representante Comercial dos Estados Unidos).
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSB), enviou ao órgão uma proposta sigilosa ainda sem resposta. Após consulta a setores impactados, Alckmin fará outra investida.
À CNN, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse que “sem dúvida” espera que Escobar remeta o resultado da reunião desta terça a Trump.
“Da nossa parte, cabe mostrar ao encarregado de negócios, o volume das transações, possíveis impactos negativos, que não são só aqui, são lá também [nos Estados Unidos], desenvolver o senso de urgência e pedir que as informações cheguem aos tomadores de decisão”, disse.



