Tainá Falcão
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Tainá Falcão

Jornalista, poetisa, mulher nordestina, radicada em Brasília com passagem por SP. Curiosa. Bicho de TV. Informa sobre os bastidores do poder

Hugo quer avançar com reforma política “sem pressa”

Projeto que altera o sistema eleitoral tem apoio de presidentes de partidos

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse à CNN que dará prioridade, ainda neste ano, ao avanço de um projeto que prevê a adoção do sistema de voto distrital misto para eleições proporcionais, a partir de 2030. Ressaltou, no entanto, que conduzirá a pauta “sem pressa”.

A proposta, que conta com forte apelo entre presidentes de partidos, está sob a relatoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE). Nesta sexta-feira (31), Motta conversou por telefone com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, entusiasta da proposta.

“Nosso trabalho agora é dialogar com os partidos, com os presidentes, com as lideranças. É um trabalho macro, de muitas mãos, em busca do mesmo objetivo: criar mecanismos de fortalecimento do nosso processo democrático, sem pressa e com muita responsabilidade”, disse ele.

De acordo com a proposta, deputados federais, estaduais, distritais e vereadores seriam eleitos a partir da combinação de dois modelos de votação — o majoritário e o proporcional — com a possibilidade de o eleitor votar duas vezes: uma vez no candidato do distrito e outra na lista de candidatos do partido.

A reforma eleitoral, com mudanças no voto proporcional, tem sido defendida por Motta no contexto das discussões sobre a infiltração do crime organizado na política.

O projeto que altera o sistema de eleição deverá ser tratado como prioridade junto à PEC da Segurança, com previsão de aprovação ainda em dezembro.

“Precisamos enfrentar com rigor uma das maiores ameaças à credibilidade das instituições: o financiamento ilegal de candidaturas pelo crime organizado. Isso não é só uma violação eleitoral — é uma tentativa de capturar o Estado, influenciar políticas públicas, enfraquecer o combate ao crime e colocar os interesses criminosos acima do interesse da população”, afirmou Motta.

Crime organizado

O presidente da Câmara também afirmou que avançará com outros projetos de combate ao crime organizado. Ele confirmou que o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, pediu avanço da PEC da Segurança na Câmara e adicionou outras duas propostas como prioridade: o PL Antifacção, que prevê extensa mudança nas leis que regem as normas penais no Brasil — como a Lei de Execuções Penais e a Lei de Organizações Criminosas — e outro projeto que equipara facções criminosas ao terrorismo. Este último enfrenta forte resistência no Palácio do Planalto.

A oposição critica o governo por ter negado o pedido dos Estados Unidos para igualar os dois tipos de atuação criminosa.