Planalto investe em reação de Gleisi e partidos contra PL da Dosimetria
Avaliação é que presidente Lula se manifeste sobre o assunto apenas quando proposta siga para sanção
Sem uma manifestação pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a aprovação do PL (projeto de lei) da Dosimetria, pela Câmara dos Deputados, o Palácio do Planalto terceirizou a artilharia em três frentes: à articulação política, líderes de governo e partidos da base para reagir à proposta.
Por enquanto, o presidente e o entorno ainda medem a reação das ruas diante da aprovação da proposta e consideram que o chefe do Executivo não deve, no momento, reagir contra a decisão de outro poder.
A avaliação é de que Lula deve responder quando a proposta chegar para sanção, quando pode decidir pelo veto ao projeto e marcar posição no tempo adequado.
Nos bastidores do Planalto, a votação da matéria e, principalmente, o tumulto que antecedeu a aprovação, tem sido definidos como “terrível” e “vexatório” para a Câmara.
Nos discursos endossados sob reserva pelo Planalto, há o entendimento de que o projeto aliviará a redução de penas para crimes fora do escopo do 8 de Janeiro, incluindo o crime organizado.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), se referiu à aprovação do projeto como um “grave retrocesso”, citou “interesses políticos” e afirmou que a proposta “fragiliza a legislação”.
O PSB fez um levantamento indicando que condenados por crime de coação no curso do processo e incêndio doloso podem ter a pena reduzida. O líder do partido na Câmara, deputado Pedro Campos (PSB-PE), disse, em discurso, que a matéria pode alcançar os chamados crimes de colarinho branco.
“Esse projeto vai muito além de Bolsonaro: ele reduz o tempo mínimo de pena para progressão de regime e abre brecha para beneficiar criminosos de colarinho branco, inclusive faccionados do PCC que atuavam na Faria Lima, refinarias e postos de gasolina.”, disse.
Nos discursos, os governistas têm ressaltado ainda que a aprovação do projeto desrespeita decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) e atenta contra a democracia, ressaltando parte da investigação que revelou um plano para matar o presidente da República.
Ainda no entorno de Lula, ministros se dizem convencidos de que a estratégia tem como objetivo recolocar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no epicentro das decisões políticas.
A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto ainda é vista com ressalvas pelo governo. Aliados do presidente Lula acreditam que o atual senador continuará em negociação com o Centrão para dar continuidade, ou não, às negociações pelas eleições do próximo ano.



