Teo Cury
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Explica o que está em jogo, descomplica o juridiquês e revela bastidores dos tribunais e da política em Brasília. Passou por Estadão, Veja e Poder360

Análise: o equilíbrio de Tarcísio entre a pauta bolsonarista e a interlocução com o STF

Governador procurou ministros para tranquilizá-los sobre manifestação que aconteceria sábado; na Paulista, criticou suspensão do X, pediu anistia de presos do 8 de janeiro e citou insegurança jurídica

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O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem se equilibrado entre a tentativa de ser um interlocutor da direita com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o endosso a pautas e bandeiras do bolsonarismo. O exemplo mais recente foi visto no ato realizado na Avenida Paulista neste sábado (7).

Discursando ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados, o governador criticou a suspensão do X, defendeu anistia aos presos do 8 de janeiro e pediu segurança jurídica.

Os três pontos dizem respeito direta ou indiretamente a Alexandre de Moraes. Foi dele a decisão de derrubar o X no Brasil. Moraes é o relator das ações penais que condenaram criminosos que participaram do 8 de janeiro. E o ministro integra o STF, considerado por parte do bolsonarismo responsável pela insegurança jurídica no país.

Ao mesmo tempo em que criticou o ministro e expôs o descontentamento de uma parcela da direita com ele, o governador busca manter certa proximidade com o tribunal.

Tarcísio procurou ministros às vésperas do evento para minimizar eventuais preocupações com o ato.

O governador também tem atuado como uma ponte entre aliados de Bolsonaro e Moraes. Tarcísio procurou o ministro para defender o senador Jorge Seif (PL-SC) no processo que pode levar à cassação de seu mandato no Tribunal Superior Eleitoral, à época presidido por Moraes.

A postura também é adotada na relação com o governo federal. Nos últimos meses, Tarcísio implementou escolas cívico-militares em São Paulo, defendeu o fim das saidinhas, participou de atos ao lado de Bolsonaro e se ausentou de agendas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em compensação, disse concordar com a proposta de reforma tributária do governo Lula, elogiou a atuação da Fazenda na negociação das dívidas dos estados, fez um desagravo à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e citou parceria “bem sólida” com o governo federal.