Master, Refit e inelegibilidade: os reveses de Cláudio Castro em 2026
Ex-governador foi alvo de duas operações em menos de duas semanas, foi condenado pelo TSE e enfrenta dificuldades em emplacar seu sucessor no governo do Rio
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL-RJ) enfrenta nos primeiros meses deste ano uma série de reveses em diferentes instâncias da Justiça brasileira. Somente nos últimos 15 dias, o político foi alvo de duas operações da Polícia Federal.
Castro renunciou antecipadamente ao governo do Rio de olho em uma vaga ao Senado, mas especialmente buscando driblar a cassação pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que se avizinhava.
A manobra do ex-governador às vésperas do julgamento não impediu sua condenação à inelegibilidade, como a CNN havia antecipado, por abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos nas eleições de 2022.
O primeiro baque ao grupo político do ex-governador foi a suspensão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) do julgamento que definiria o formato da eleição para o governo tampão do Rio. A sucessão travada impacta diretamente os planos do grupo do ex-governador de emplacar Douglas Ruas (PL-RJ) no posto.
No dia 15 de maio, Castro foi alvo de uma operação da Polícia Federal que suspeita que o governo fluminense, sob o comando do então governador, “direcionou todos os esforços de sua máquina pública” em favor do conglomerado de Ricardo Magro, dono da Refit e maior sonegador do país.
A Polícia Federal sustenta que o governo Castro permitiu que houvesse, no Rio de Janeiro, cenário propício para “atividades espúrias” da Refit. A deflagração da operação fez o PL avaliar possíveis substitutos à vaga da chapa no Rio.
A decisão sobre o futuro de Castro e seu eventual substituto ficará a cargo do clã Bolsonaro. A avaliação de integrantes do PL é a de que aquela operação tornam o ex-governador ainda mais tóxico eleitoralmente não apenas para Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, mas também para Ruas ao governo estadual. Menos de duas semanas depois, nesta terça-feira (26), Castro foi novamente alvo de busca e apreensão, desta vez no âmbito da investigação que apura fraudes financeiras do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal investiga aportes de R$ 3 bilhões feitos pela Rioprevidência no Master a partir de outubro de 2023. A investigação é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que identificou aportes suspeitos em Letras Financeiras que totalizaram R$ 970 milhões, entre outubro e julho de 2024.
Nesta fase, apura-se aplicações de R$ 2,01 bilhões, a partir de julho de 2024, em fundos de investimentos do mesmo banco, totalizando cerca de R$ 3 bilhões transferidos do Rioprevidência.
Em nota enviada à imprensa, o Rioprevidência informou que está à disposição para prestar esclarecimentos e afirmou que a nova gestão tem adotado medidas para garantir a segurança dos investimentos. Leia na íntegra o comunicado:
"O Rioprevidência informa que está à disposição para prestar todos os esclarecimentos e contribuir com os órgãos de controle e a Justiça.
A atual gestão da autarquia ressalta ainda que tem adotado medidas saneadoras e que fortalecem o compliance interno e a segurança dos investimentos."



