As preocupações de empresários espanhóis sobre o Brasil
Investimento espanhol no país está em alta, mas eleições e política fiscal estão no radar

Executivos de algumas das maiores empresas espanholas com atuação no Brasil afirmaram, nesta terça-feira (7), em Madri, que mantêm planos de investimento no país, mas acompanham com atenção o cenário político e econômico diante das eleições de 2026.
O encontro ocorreu durante agenda preparatória para a Cúpula Ibero-Americana de Madri 2026, que será realizada nos dias 4 e 5 de novembro. Um grupo de jornalistas brasileiros está na capital espanhola para acompanhar os preparativos do evento.
Participaram do almoço representantes de companhias como Banco Santander, Telefónica, Mapfre, Acciona, Repsol e Iberdrola, todas com presença relevante no mercado brasileiro.
Durante a conversa, os executivos destacaram a importância do Brasil para os resultados globais das empresas. Em alguns casos, a operação brasileira responde por mais de 25% do desempenho total dos grupos.
Apesar da relevância estratégica, o ambiente político foi apontado como um fator de atenção. Os empresários citaram preocupação com eventuais mudanças na política fiscal e, principalmente, nos marcos regulatórios após o processo eleitoral.
Segundo relataram, foi justamente a melhora no ambiente regulatório nos últimos anos — especialmente em setores como infraestrutura e energia — que permitiu a ampliação dos investimentos no país.
Ainda assim, não houve demonstração de preocupação exacerbada com o Brasil. A avaliação predominante é de que o país apresenta hoje maior estabilidade econômica e jurídica em comparação com períodos anteriores.
A Cúpula Ibero-Americana deste ano deve discutir temas comuns entre os países participantes e aprovar o Plano de Ação Quadrienal 2026–2029. Esta marca a 30ª edição do encontro e os 35 anos da primeira reunião realizada em Guadalajara, em 1991.
O governo espanhol pretende que o encontro avance em propostas concretas, como a criação de um fundo para resposta a desastres e o fortalecimento das relações com outras regiões, incluindo Índia e Caribe.
Brasil e Espanha são apontados como atores relevantes nas discussões por serem as maiores economias dos países que participam da Cúpula.
A jornalista viaja a convite da Fundação Carolina e da Fundação Conselho Espanha Brasil



