iFood vai reverter aumento do lucro aos restaurantes, diz CFO da startup


Manuela Tecchio, do CNN Brasil Business, em São Paulo
19 de março de 2020 às 08:41 | Atualizado 25 de março de 2020 às 18:55
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Empresa vai abrir mão de parte da sua comissão para ajudar restaurantes (19.mar.2020)

Foto: iFood/Divulgação

Na tentativa de manter os negócios com mais de 130 mil restaurantes cadastrados em sua plataforma, o iFood vai adotar  medidas de incentivo. As ações, que passam a valer a partir do próximo dia 2 de abril, buscam aplacar os efeitos da pandemia de coronavírus no setor e também garantir minimamente a saúde financeira de entregadores e empresas parceiras. 

Dois fundos serão criados a partir do caixa da startup. Um deles, de R$ 50 milhões ficará disponível para restaurantes, que devem receber uma devolução de parte das comissões cobradas pela empresa. Restaurantes familiares e independentes são as prioridades. Outro fundo, de R$ 1 milhão, é destinado a entregadores que apresentarem quaisquer sintomas e precisem ficar em casa, sem trabalhar.

De acordo com Diego Barreto, diretor financeiro da startup, praticamente todo o lucro extra proveniente do aumento da demanda na plataforma, será revertido em medidas como estas. "Quando analisamos o que aconteceu em países que foram atingidos antes do Brasil, vemos que a demanda do delivery subiu e depois caiu, porque a cadeia de restaurantes começa a ter problema e literalmente quebra. A gente não tem expectativa de que só cresça por 60 dias. Existe um compromisso de reverter esse aumento para os restaurantes", disse o CFO em entrevista à CNN Brasil Business.

Outra política adotava é a redução do prazo para o repasse dos valores aos restaurantes, hoje fixado em 30 dias. Com a mudança, os estabelecimentos passam a receber seus pagamentos sete dias após a compra dos clientes. Segundo a estimativa da empresa, a medida pode injetar R$ 600 milhões em capital de giro no setor durante abril e maio.

No longo prazo, entretanto, não há um plano. "A gente lançou essas iniciativas para 60 dias, abril e maio. Parece suficiente acreditamos que seja o período ideal. Esse momento é volátil, incerto, complexo e ambíguo. Não podemos prever o que vai acontecer nem na semana que vem."

O que é possível afirmar por enquanto, é que os estabelecimentos estão buscando se adaptar. Em cidades com mais de 100 mil habitantes, houve um aumento expressivo de novos restaurantes se cadastrando na plataforma. Destes, a maioria ainda não operava em sistema de delivery.