Famosos por seus investimentos, Warren Buffett e Masa Son sofrem revezes


Paul R. La Monica do CNN Business, em Nova York
22 de Maio de 2020 às 11:16 | Atualizado 22 de Maio de 2020 às 11:18
Warren Buffett

Magnata Warren Buffett tem acumulado revezes durante a crise (04.Mai.2019)

Foto: Scott Morgan/Reuters

O conglomerado japonês SoftBank é muitas vezes descrito como o Berkshire Hathaway da tecnologia, o que já foi uma comparação lisonjeira para ambos. Mas o histórico de investimentos para a empresa japonesa administrada por Masayoshi Son (Softbank) e a gigante norte-americana de investimentos de Warren Buffett (Berkshire) tem se complicado recentemente.

O SoftBank foi duramente atingido pela enorme queda no valor das ações de empresas como Uber e Slack, bem como pela superestimação na avaliação de unicórnios como WeWork, DoorDash e empresa hoteleira indiana Oyo.

Enquanto isso, a Berkshire Hathaway se deu mal ao investir no banco Wells Fargo, envolvido em escândalos, e na gigante dos alimentos Kraft Heinz, que está em dificuldades.

A Berkshire também divulgou na sexta-feira passada, dia 15 de maio, que esvaziou quase toda sua participação no banco de investimentos Goldman Sachs, duramente atingido este ano pela turbulência no mercado.

O megainvestidor norte-americano também fez uma grande aposta no setor aéreo nos últimos anos – e acabou revelando na reunião anual de acionistas da Berkshire Hathaway que a empresa vendeu toda a sua participação nas companhias Delta, Southwest, American e United, que foram duramente abaladas pela pandemia da Covid-19.

Sejamos justos, os dois CEOs foram sinceros e contritos sobre alguns dos contratempos que vêm sofrendo.

Buffett disse na reunião de acionistas no início de maio que foi um erro investir em companhias aéreas e que poderia levar anos para o setor se recuperar da desaceleração das viagens provocada pelo coronavírus.

Por sua vez, Son admitiu em teleconferência nesta semana que o investimento da SoftBank na WeWork foi um fracasso. O investidor japonês chegou a dizer que foi "tolo" e "tomou a decisão errada".

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Além disso, Son afirmou que poderia haver mais problemas pela frente nos investimentos da SoftBank em seu principal Vision Fund, prevendo até que 15 de suas 88 participações atuais poderiam falir. Embora não tenha citado empresas nominalmente, informou que a maioria dos investimentos mais problemáticos do SoftBank é relativamente pequena.

Os infortúnios de investimento de Buffett e Son são uma das razões pelas quais as ações de suas próprias empresas definharam ultimamente.

O valor de mercado do Berkshire Hathaway caiu 23% de janeiro até agora. Os resultados negativos da empresa no primeiro trimestre chegaram a US$ 50 bilhões, o maior prejuízo da história da empresa. Nos últimos cinco anos, o ganho das ações foi de aproximadamente 20%, quase metade do retorno obtido pelo S&P 500 no mesmo período.

O SoftBank se saiu melhor este ano, com uma perda de apenas 2%. Mas também ficou para trás no S&P 500 – assim como no Nasdaq – nos últimos cinco anos.

Obviamente, os dois investidores também tiveram alguns sucessos notáveis em investimentos recentemente. O SoftBank possui uma participação de mais de 25% no gigante chinês de comércio eletrônico e nuvem Alibaba, enquanto o Berkshire tem uma posição de quase 6% na Apple, a maior participação no fabricante de iPhone.

Nem o Alibaba nem a Apple são joias desconhecidas, e sim empresas que estão entre as mais valiosas do mundo, em posições de destaque em muitos fundos negociados em bolsa de índices globais passivos e em fundos mútuos e hedge funds gerenciados ativamente.

O SoftBank certamente merece crédito pelo primeiro investimento de US$ 20 milhões no Alibaba no ano 2000. Essa participação agora vale mais de US$ 140 bilhões.

Normalmente avesso às ações da área de tecnologia, Buffett não investiu na Apple até 2016, mas quando o fez foi com força. Seu investimento inicial de US$ 1 bilhão vale agora cerca de US$ 78 bilhões, o que inclui não apenas retornos de mercado, mas as constantes adições da Berkshire à sua participação nos últimos quatro anos.

Ainda assim, agora existem alguns sinais de uma possível fissura entre o SoftBank e o fundador do Alibaba, Jack Ma. O SoftBank disse na segunda-feira, dia 18, que Ma deixará o conselho depois de quase 13 anos como diretor do SoftBank.

Isso mostra que Son e Buffett podem cometer os mesmos erros de mercado que o resto de nós. E suas falhas ocasionais de escolha de ações são provavelmente o motivo mais forte para recomendar os ETFs para a maioria dos investidores.

Afinal, o próprio Buffett disse repetidamente que, depois que sua morte, um administrador vai investir 90% da herança de sua esposa em um fundo de índice S&P 500 de baixo custo – não a Berkshire Hathaway ou qualquer outra ação individual.

Sherisse Pham, da CNN, contribuiu para esta reportagem.

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