'Vamos arrebentar na venda de aeroportos', diz ministro da Infraestrutura


Anna Russi Da CNN, em Brasília
25 de maio de 2020 às 12:51 | Atualizado 25 de maio de 2020 às 14:51
O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom - 14.mar.2019/Agência Brasil


O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, afirmou que a pasta conseguirá vender todos os 43 aeroportos da pauta de privatizações. A retomada deve ocorrer pelo leilão da sexta rodada, previsto para 21 de março do ano que vem.

"Por mais surpreendente que possa parecer, vamos arrebentar na venda de aeroportos. Vamos vender para caramba. Por uma razão simples: ousadia. Está todo mundo tirando aeroporto da praça e nós vamos colocar aeroporto na praça, vamos ser praticamente vendedor exclusivo no mundo", disse. 

Ele participou, nesta segunda-feira (25), de conversa por videoconferência com investidores do Banco Santander. Freitas ainda esclareceu que o sucesso nas vendas de aeroportos será especialmente em decorrência de uma mudança nas regras de licitações do setor.

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"Estamos readequando a demanda  e vamos acabar com uma restrição: antes 15% do capital tinha que ser de um operador aeroportuário. Isso vai acabar. Vamos permitir que qualquer um possa 'bidar' (fazer um lance) um aeroporto", explicou. 

Na avaliação do ministro, tal ampliação na concorrência das licitações abrirá espaço para fundos de investimento, fundos de pensão e fundos soberanos. "Isso já está repercutindo bem no mercado. Tenho certeza que os leilões serão um sucesso", completou. 

Freitas destacou ainda que as conversas do governo com os setores da infraestrutura indicam que não falta investidor, mas boas oportunidades. "O que a gente percebe é que a liquidez está lá, mas o investidor tem uma cautela maior nesse momento. Ele está esperando boas oportunidades. Nós vamos construir essas boas oportunidades", afirmou. 

Na visão dele, o portfólio do país, bem como a sofisticação na estruturação dos contratos, são uma vantagem para o Brasil. "São várias tratativas com os investidores para trazer bancabilidade e sentido para os projetos. Sempre trabalhamos com cenários e agora a gente sobe um degrau para que o projeto responda a percepção de risco dos investidores, então, vamos passar por um cenário de maior stress e calibrar isso em termos de taxa de retorno", observou. 

O ministro ainda reforçou que, apesar da nova realidade fiscal na economia global, o setor privado terá papel preponderante no Brasil. "Estamos muito confiantes e essa confiança não é desarrazoada, ela nasce da conversa que temos tido com os investidores.A gente sabe que está no caminho certo", disse.