Bolsonaro tem viés corporativista com sua base eleitoral, diz economista

Governo reajusta salários de policiais e bombeiros do Distrito Federal para evitar que os aumentos sejam bloqueados pela sanção do pacote de ajuda aos estados

Da CNN, em São Paulo
26 de maio de 2020 às 22:18 | Atualizado 26 de maio de 2020 às 23:34

Em entrevista à CNN nesta terça-feira (26), a economista Ana Carla Abrão disse que é bem possível que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tenha demorado a vetar o socorro fiscal aos estados e municípios devido à crise do novo coronavírus porque "tem um viés corporativista, principalmente para algumas categorias que são da sua base eleitoral" e que, infelizmente, acabam conseguindo manter privilégios que no momento como este deveria ser “absolutamente impossível”.

O governo federal editou hoje uma medida provisória com os reajustes salariais de policiais civis e militares e bombeiros do Distrito Federal, que são custeados pela União, para evitar que os aumentos sejam bloqueados pela sanção do pacote de ajuda aos estados.

Para ela, do ponto de vista emergencial, o congelamento de salário é o caminho. No entanto, do ponto de vista estrutural, é preciso que seja feita uma reforma administrava, para que seja viabilizada a gestão de pessoas.

“Ou seja, premiar as pessoas que trabalham mais e dão mais resultado, e demitir aquelas que não entregam, e nem desempenham o seu papel como servidor público”, explicou.

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Segundo a economista, o congelamento salarial neste momento é importante porque evita pressões futuras sobre governadores e prefeitos por aumentos que aconteceram agora e que são descolados da realidade. 

Por outro lado, porém, há o dispositivo da contagem de tempo para fins de promoção, gratificações e “todos aqueles penduricalhos” que o serviço público acabou incorporando ao longo do tempo.

“À medida que interrompemos essa contagem de tempo, conseguimos interromper, pelo menos por esse período de 18 meses, as promoções e progressões automáticas, as incorporações salariais que geram um crescimento vegetativo da folha, que acontece mesmo quando não tem aumento específico salarial”, afirmou.