Novo Chevrolet Corvette pode levar a GM ao reino dos verdadeiros 'supercarros'


Peter Valdes-Dapena, do CNN Business em Overton, Nevada
13 de julho de 2020 às 11:36 | Atualizado 13 de julho de 2020 às 11:39
Corvette, da Chevrolet

A mudança para um design de motor central dá um novo perfil ao Corvette. Mas ele continua sendo inconfundivelmente um Corvette

Foto: Divulgação/Chevrolet

Com o motor atrás do motorista, encaixado no meio do carro, em vez de sob o capô, o novo Chevrolet Corvette da General Motors representa uma enorme mudança para um dos carros mais famosos dos Estados Unidos. Embora o novo design possa parecer estranho à primeira vista, será óbvio mais tarde, quando a GM apresentar versões mais poderosas do carro esportivo da empresa. 

A montadora ainda não anunciou oficialmente nada, mas não há dúvida de que haverá Corvettes mais rápidos e poderosos do que esse primeiro modelo apresentado – que poderão levar a GM ao reino dos verdadeiros supercarros, como os Lamborghini e Ferrari.

Mesmo no modelo mais básico do novo design, o Stingray com 495 cavalos de potência, as vantagens no novo layout com “motor no meio” aparecem. Uma delas é a mudança no peso do carro, alterando a forma como ele lida com as curvas e tornando-o mais rápido nas retas, pois há mais peso nas rodas traseiras, para onde vai a potência.

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O novo Corvette também coloca o motorista mais perto do centro da experiência de dirigir. O corpo do condutor fica perto do motor, onde o peso do carro está concentrado. Além disso, o motorista fica mais à frente no veículo, mais próximo das rodas dianteiras. Outra diferença é o capô é mais baixo – já que não há motor embaixo dele – fornecendo uma visão mais limpa da estrada à frente.

Com o novo Corvette, os engenheiros e designers da GM costumam usar o termo “largura de banda” para descrever todas as vantagens do novo desenho. Basicamente, ele permite que os engenheiros criem versões do carro com muito mais potência – e com capacidade de lidar com ela.

Não é como se o Corvette de última geração fosse uma desculpa ruim para um carro esportivo. O modelo básico – o Corvette Stingray – tinha um motor V8 de 455 cavalos de potência montado sob o capô e era frequentemente citado como uma das grandes pechinchas de carros esportivos do mundo, oferecendo desempenho a par do Porsche 911, mas por US$ 30 mil a menos. Além disso, o Corvette era eminentemente prático para um carro esportivo de dois lugares. Tinha uma economia de combustível decente, considerando sua potência.

Já o novo Corvette mantém todos esses benefícios e acrescenta 50 cavalos de potência. Há amplo espaço de armazenamento atrás do motor e na frente, sob o capô. Com um preço base pouco abaixo de US$ 60 mil nos EUA, não chega a ser um carro barato, mas tem um valor espetacular.

Os engenheiros da Corvette com quem conversei admitem que as limitações do antigo projeto com motor dianteiro se tornaram aparentes em versões mais poderosas do carro. Como a potência foi aumentada para criar carros como o Chevrolet Corvette ZR1 de 755 cavalos, o tempo das voltas na pista não melhorou tanto quanto se esperava.

Agora, com mais peso sobre as rodas traseiras, o novo design com motor no meio aumentará o desempenho – e o puro prazer – de futuros motores com maior potência e, possivelmente, movidos a eletricidade. (Há rumores de que um híbrido de alto desempenho esteja em andamento, mas, como em todos os futuros Corvettes, a GM não confirmou isso.)

Em fevereiro, eu dirigi um novo Corvette com algumas opções de fábrica e preço final de revendedora perto de US$ 90 mil. A qualidade dos materiais era boa. O interior era luxuoso na medida. O novo Corvette leva ao extremo a ideia de um “carro de motorista”. Uma fila longa e estreita de botões, contendo principalmente controles de aquecimento e resfriamento da cabine, cria um muro baixo entre o motorista e o passageiro. A tela central touchscreen também é inclinada em direção ao condutor.

Uma coisa que o Corvette não oferece mais é uma transmissão manual. A maioria dos motoristas provavelmente não sentirá falta disso. A transmissão do novo Corvette é rápida, ágil e tão suave quanto um vidro bem oleado. Essas coisas nem sempre andam juntas em uma transmissão automática, mas as oito velocidades do Corvette funcionam surpreendentemente bem.

Um câmbio com apoio de mão logo acima é usado para alterar os modos de direção. Você pode escolher a opção Tour, para uma direção confortável, ou Sport and Track, para uma condução rápida e agressiva. Girar o câmbio altera modos como capacidade de resposta da direção, mudança de marchas e, se o carro tiver suspensão ajustável opcional, a firmeza na condução (a condução mais firme se traduz em mais controle nas curvas.)

O volante é quase retangular. Ele tem um fundo plano que dá mais espaço para as pernas do motorista e um topo plano para garantir uma visão desobstruída da tela do computador, que é o cluster de medidores.

O Corvette continua sendo um carro esportivo rápido, ágil e confortável (OK, talvez não, se você optar pelos bancos de corrida finos e duros). Responde rápido aos comandos. Mas espere até a GM divulgar as versões que estão por vir. É aí que veremos os verdadeiros frutos desse esforço de redesenho.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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