Nikola, Rivian: as startups de carros elétricos que querem encarar a Tesla


Matt McFarland e Peter Valdes-Dapena, do CNN Business
18 de julho de 2020 às 07:00
Rivian R1T

Rivian R1T: startup de carro elétrico quer alcançar a Tesla

Foto: Divulgação

As ações da Tesla subiram mais de 500% nos últimos 12 meses. Com a passagem para o antigo projeto de foguete de Elon Musk cada vez mais cara, o interesse dos investidores tem se voltado para novos concorrentes que podem ser “a próxima Tesla”.

Já existe a Nikola (que usa a outra metade do nome do inventor Nikola Tesla), que ultrapassou brevemente a Ford em valor de mercado, apesar de nunca ter produzido um veículo para venda. E estão na concorrência Rivian, Fisker, Byton, Faraday Future e muitas mais. Algumas montadoras são mais estabelecidas; outras, estão mais adiantadas em seus ciclos de produtos.

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A maioria dessas empresas está completamente fora do mercado de sedãs (apesar do sucesso da Tesla com o Model S e o Model 3), optando por fazer caminhões, crossovers ou veículos ainda sem classificação nas categorias tradicionais.

Aqui está um resumo do mercado cada vez mais concorrido de veículos elétricos e o que está por vir.

Fisker

A Fisker, sediada em Los Angeles, planeja começar a vender seu SUV crossover Ocean em 2022 por cerca de US$ 40 mil. O valor é parecido com o do próximo SUV elétrico da Nissan, o Ariya, e cerca de US$ 10 mil mais barato que o Tesla Model Y, cuja versão inicial custa aproximadamente US$ 50 mil,

Dá para reconhecer o nome Fisker do empreendimento anterior do fundador Henrik Fisker, a Fisker Automotive, que fabricou o sedã híbrido plug-in (e bem radical) Fisker Karma. A Fisker Automotive faliu há alguns anos, mas vários ativos (incluindo alguns Karmas desmontados) foram adquiridos por investidores chineses que fundaram uma nova empresa, a Karma Automotive. A versão nova e aprimorada do Karma, a partir do carro antigo de Fisker, agora é chamada de Karma Revero.

No início desta semana, o novo empreendimento da Fisker, a Fisker Inc., anunciou um acordo de US$ 2,9 bilhões com a empresa de private equity Apollo Global Management. Se aprovado, o negócio vai ser resultar numa empresa de capital aberto. Espera-se que o acordo seja fechado no quarto trimestre deste ano.

Rivian

A Rivian é um dos mais conhecidos concorrentes potenciais da Tesla. A Ford e a Amazon estão entre seus maiores investidores. Recentemente, a empresa captou um investimento adicional de US$ 2,5 bilhões. Antes, já havia angariado US$ 1,2 bilhão em duas rodadas, de US$ 700 milhões e US$ 500 milhões.

A Rivian planeja começar a produzir no próximo ano sua picape off-road R1T e o SUV R1S.

Sediada em Michigan, a empresa também estará ocupada produzindo vans elétricas para delivery. Além de investir centenas de milhões de dólares, a Amazon já fez um pedido de 100 mil dessas peruas para ajudar a empresa a decolar.

Nikola

Os grandes planos da Nikola têm a ver principalmente com veículos semipesados (ou semitrucks), tanto os puramente elétricos como os movidos a hidrogênio.

A Nikola também planeja produzir uma picape chamada Badger, que funcionará com uma combinação de eletricidade armazenada em baterias e aquela produzida a partir de hidrogênio comprimido. De acordo com a empresa, sediada no Arizona, essa combinação permitirá que o Badger rode um total de 960 quilômetros sem precisar recarregar ou reabastecer.

A empresa afirmou que o modelo deve ser produzido em cooperação com uma grande montadora, mas por enquanto nenhum acordo foi anunciado.

As ações da Nikola foram listadas recentemente na bolsa Nasdaq por meio de uma fusão reversa, um processo que, historicamente, recebe muitas críticas pela falta de transparência para os investidores quando comparado a uma oferta pública inicial tradicional. A ação da Nikola atingiu quase US$ 80 logo que passou a ser vendida na bolsa de valores. Agora está sendo negociada em torno de US$ 55.

Faraday Future

Startup de Los Angeles, a Faraday Future foi batizada com o nome de Michael Faraday, um cientista britânico do século 19 que descreveu a indução eletromagnética, um dos princípios básicos que fazem os motores elétricos funcionarem.

A Faraday casou furor em 2017 ao lançar seu primeiro veículo elétrico, o FF 91, um sedã de luxo que a empresa diz ser projetado para ser dirigido de forma autônoma no futuro. Mas o progresso tem sido lento desde então. O fundador, o empresário chinês YT Jia, entrou em falência em outubro de 2019, mas chegou a um acordo com os credores agora em julho.

As entregas do FF 91 devem começar cerca de nove meses após a conclusão de uma rodada de captação de recursos, de acordo com a empresa. A Faraday disse que planeja produzir o FF 91 em Hanford, Califórnia, mas não ficou claro se a produção nesse local vai se concretizar.

Byton

A empresa chinesa disse estar planejando um SUV elétrico de tamanho médio que terá uma tela horizontal de 48 polegadas ocupando toda a largura do painel. Há também uma tela touchscreen do tamanho de um iPad no volante – a tela se mantém na mesma posição enquanto o volante gira numa curva.

Segundo a Byton, o carro pode ser controlado por gestos e por voz, características semelhantes às já existentes nos carros fabricados pela BMW.

Mas a empresa suspendeu temporariamente as operações – de acordo com um porta-voz, por causa do impacto da pandemia na captação de recursos. O início da produção dos carros não tem data estabelecida.

Lucid

O CEO da Lucid Motors, Peter Rawlinson, foi o engenheiro-chefe do Model S da Tesla antes de sair da empresa em 2012.

Fundada em 2007, a Lucid Motors planeja lançar um veículo de luxo chamado Air em setembro. Segundo a companhia, o modelo tem autonomia de mais de 600 quilômetros e pode ir de zero a 100 quilômetros por hora em menos de 2,5 segundos. O Air custará mais de US$ 100 mil.

A Lucid iniciou a construção de sua unidade fabril em Casa Grande, Arizona, em dezembro de 2019, e espera completar a primeira fase do edifício ainda este ano. A empresa dispõe ainda de outro endereço para o desenvolvimento desse um único veículo.

A startup levantou mais de US$ 1 bilhão do fundo de investimento público da Arábia Saudita.

Lordstown

A Lordstown Motors está desenvolvendo uma caminhonete elétrica de US$ 52.500, chamada Endurance, para frotas comerciais. A startup planeja construir seu caminhão em uma antiga fábrica da GM em Lordstown, Ohio, aproveitando alguns dos equipamentos usados para fabricar o Cruze, da Chevrolet.

O caso da Lordstown Motors é único por causa de sua decisão controversa de usar motores localizados nas quatro rodas da picape, chamados motores de cubo. Também se destacou por chamar a atenção do governo Donald Trump, pois o vice-presidente Mike Pence fez um discurso no lançamento do Endurance no mês passado, elogiando-o como um símbolo da indústria norte-americana.

A empresa recebeu um empréstimo de emergência de US$ 40 milhões da GM e está tentando captar mais US$ 450 milhões para iniciar a produção do Endurance a uma taxa que, segundo ela, será lucrativa.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).

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