País fecha 11 mil vagas formais em junho e surpreende o mercado, aponta Caged


Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
28 de julho de 2020 às 10:50 | Atualizado 28 de julho de 2020 às 13:42

Em junho, o Brasil fechou 10.984 vagas formais, com carteira de trabalho assinada. O número surpreendeu analistas de mercado, que apontavam para o fechamento de mais de 150 mil vagas em decorrência da grave crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus. 

Os dados foram divulgados pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho nesta terça-feira (28) e fazem parte do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Tanto a equipe econômica do Itaú Unibanco como a do Bradesco esperavam um fechamento líquido (vagas abertas menos vagas fechadas) de 160 mil empregos no mês passado.

Na avaliação do secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, os números indicam o início da recuperação do mercado de trabalho. 

Mas, apesar do saldo negativo melhor que as projeções do mercado, o resultado foi o pior para esse mês do ano desde 2016. 

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O saldo de junho foi resultado da contratação de 895.460 trabalhadores com carteira assinada e da demissão de outros 906.444 pessoas. 

Os deligamentos do mês passado recuaram 16% em relação a maio. Já as admissões avançaram 24%. Na comparação com o mês de abril, que foi o pior momento em termos de admissões na crise atual, junho registrou uma melhora de de 43% nas vagas abertas e redução de 41% nas demissões.

No primeiro semestre, o país perdeu 1.198.363 postos de trabalho, resultado de 6,718 milhões de contratações e de 7,917 milhões de demissões desde o início do ano. 

No mês anterior, o número de empregos formais fechados no Brasil havia somado 331.901. O número foi o pior para os meses de maio em toda a série histórica do Caged. 

Junho foi o quarto mês consecutivo em que as demissões superaram as contratações.

Reação nas admissões 

Bianco disse que a equipe econômica já sabia que os saldos negativos estavam sendo puxados muito mais pela redução das contratações. "Tivemos uma melhora significativa e expressiva nas contratações de junho. Isso demonstra uma clara reação do mercado de trabalho. São notícias positivas", afirmou. 

Em maio, o número de empregos formais fechados no Brasil havia somado 331.901, número que foi atualizado para 350.303. O resultado foi o pior para meses de maio em toda a série histórica do Caged. 

Bianco acredita que a melhora de junho sinaliza o potencial de o país de ter uma recuperação econômica em "V", como defende o ministro da Economia, Paulo Guedes. Isso apontaria para uma rápida retomada depois da queda abrupta.

"Não tem como garantir que a retomada será em V, mas temos tudo o que precisamos para isso. Já temos também indícios do início da retomada", reforçou.

15 milhões de trabalhadores 

O secretário destacou ainda o que ele defendeu ser a eficiência das medidas emergenciais do governo para a preservação do emprego e da renda no Brasil. Na avaliação dele, a melhora do mercado formal de trabalho não seria possível sem ações de crédito e sem o programa especial que complementa a renda de trabalhadores que tiveram a jornada e o salário reduzidos ou contratos suspensos. 

"O Brasil, com as políticas públicas, tem conseguido êxito na preservação de emprego e renda dos brasileiros. A melhora da economia, com a manutenção de empregos pelo BEM, gera incremento das admissões. Essa curva vai continuar melhorando pela melhora econômica. Tivemos a prorrogação do BEM, temos perspectivas muito positivas para os próximos meses", completou. 

Segundo Bianco, nesta terça-feira (28), o número de acordos entre empresários e trabalhadores ultrapassou os 15 milhões.  

Serviços: pior setor 

Tanto no semestre como no resultado mensal, o setor de serviços liderou nas demissões do primeiro semestre, com um total de 507.708 e 44.891, respectivamente. Em seguida ficou o comércio, que fechou 474.511 vagas nos primeiros seis meses, das quais 16.646 somente em junho. 

Por outro lado, a agropecuária foi o setor com o melhor desempenho, com a abertura de 62.633 novas vagas no primeiro semestre, sendo 36.836 somente em junho. Apesar do saldo negativo de 32.092 no semestre, o setor da construção civil abriu 17.270 empregos formais em junho.  

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