Pandemia reduz gastos de brasileiros no exterior para o menor patamar desde 2007

Dados do primeiro semestre mostram queda de quase 60% quando comparado com o mesmo período de 2019

Anna Russi, do CNN Brasil Business, em Brasília
28 de julho de 2020 às 10:13 | Atualizado 28 de julho de 2020 às 11:43

No total de US$ 3,573 bilhões, as despesas de brasileiros com viagens ao exterior registraram queda de 59,4% no primeiro semestre de 2020, ante mesmo período do ano passado. O valor é o menor desde 2007. Somente em junho, os R$ 239 milhões gastos representaram recuo de 84,3% na comparação com o mesmo mês de 2019. 

Os números são da nota de Setor Externo, divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (28). Os resultados refletem a alta do dólar e o impacto da pandemia da Covid-19 no setor de turismo, que levou a suspensão de voos e ao fechamento de fronteiras em alguns países. 

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Na mesma linha, os gastos de estrangeiros no Brasil somou R$ 1,839 bilhões nos primeiros seis meses do ano, uma queda de 40,2% na comparação com o mesmo período de 2019. Somente no mês passado, as despesas de turistas no Brasil despencou 55,3%ante junho do ano anterior, totalizando R$ 167 milhões.

Com déficit de US$ 1,735 bilhões no primeiro semestre, o desempenho da conta de serviços de viagens foi 69,7% menor, ante o mesmo período do ano passado. Em junho,  os brasileiros gastaram US$ 72 milhões a mais com turismo no exterior do que o contrário. 

Contas externas 

As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ $ 9,734 bilhões no primeiro semestre, uma melhora de 53,6% em relação ao rombo de US$ 20,998 bi no mesmo período de 2019. 

Por outro lado, em junho, as transações correntes tiveram superávit de US$ 2,235 bilhões, ante déficit de R$ 2,2659 no mesmo mês do ano passado. O resultado foi influenciado, principalmente, por uma melhora na balança comercial, com recuo de 19% nas importações. 

Resultado de US$ 17,997 bilhões em exportações e US$ 11,099 bilhões em importações, a balança comercial somou US$ 6,898 bi no mês passado. O resultado representa um avanço de 46,3% em relação a junho de 2019. 

A conta das transações correntes é formada pela balança comercial, pelos serviços adquiridos por brasileiros no exterior e pelas rendas, ou seja, remessas de juros, lucros e dividendos do país para o exterior. Para este ano, a previsão do Banco Central é de um rombo de US$ 57,7 bilhões nas contas externas brasileiras.

Investimentos 

O Investimentos Direto no País (IDP) alcançou US$ 25,349 bilhões no acumulado dos seis primeiros meses de 2020. O valor é menor que os US$ 32,233 bilhões em igual período no ano anterior. 

Somente em junho, o IDP alcançou US$ 4,754 bilhões, ante apenas US$ 574 milhões no mesmo mês de 2019. Para o total de 2020, o BC projeta que o IDP feche em US$ 80 bilhões.  

Além do retorno de investimentos brasileiros no exterior, o IDP é formado por recursos da participação no capital e por empréstimos diretos concedidos à filiais de empresas multinacionais no país.

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